Tuesday, August 10, 2010

Eike, os subsídios e o loop do intervencionismo

Não é bem um loop, é mais uma espiral decrescente ou crescente, dependendo do seu ponto de vista, porque a lógica do intervencionismo não é um moto contínuo constante e redundante, as regulações chamam mais regulações que chamam mais regulações até o sistema travar. Vamos ser sinceros: o mundo é uma selva cuja única certeza é a morte. Tá bom, esse comentário bombástico foi desnecessário. E, ao contrário do que alguns falam, a natureza não é bondosa, até porque ela não exerce juízo de valor como o homem, que nasce e tem que se virar contra uma série de obstáculos pra permanecer vivo. Diante dessas dificuldades, as pessoas anseiam naturalmente por segurança, por estabilidade, de preferência com o menor esforço possível. Ou isso não é verdade? Mises dizia que as pessoas agem pra passar de um estado menos satisfatório pra um mais satisfatório, caso contrário não agiriam. Eu concordo, e isso vale como nunca numa democracia. O camarada que vota em Sicrano, na maioria das vezes, não está votando baseado em princípios filosóficos impessoais, mas no que espera que Sicrano faça diretamente por ele. O CANDIDATO DOS APOSENTADOS, O CANDIDATO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, O CANDIDATO DA ZONA OESTE. Se ele valoriza a Bolsa que recebe do governo, ele não vai votar num candidato que promete acabar com essa Bolsa. Se o grupo de interesse X sente que vai perder poder e verbas se o candidato Beltrano ganhar, os seus integrantes vão fazer campanha contra Beltrano sem muitas preocupações com abstrações ideológicas. Quando o Getúlio Vargas se inspirou no Mussolini e criou a CLT, ele tava querendo agradar a maioria da população, claro, era um populista clássico. Sim, as pessoas querem um mínimo de segurança e estabilidade em seus empregos, então lá vão os políticos atender, através da lei, esse anseio da população. Só que a estrutura da realidade não se curva à vontade do político em agradar e ganhar votos, se o governo federal estabelecer que ninguém pode receber menos que 1.000 reais por mês, isso não vai se tornar realidade só porque um engravatado ou um tailleur de Brasília assinou um pedaço de papel. A riqueza tem que ser criada através da produção na interação entre o homem e a natureza. Se o homem quer comer, ele tem que plantar. Se quer ir de um lado pro outro, tem que usar um combustível. Se quer luz e televisão, tem que produzir energia e assim por diante. Pra que essa produção seja eficiente, os incentivos têm que estar corretos. Se uma agricultura baseada no "de cada um de acordo com as suas possibilidades, de cada um de acordo com as suas necessidades" traz fome e escassez, ela obviamente não é o melhor modo de produzir comida abundante e barata. Não importa se a sua sensibilidade se escandaliza com a propriedade privada e o lucro, cheque as suas premissas antes de propor maluquices que não funcionam. Mas do que eu tava falando mesmo...? Ah, sim, o Eike Batista disse que "sem subsídio não dá". Claro, o homem mais rico do Brasil é sócio do BNDES porque, você sabe, o estado tem que induzir o crescimento, não só isso, deve estimular a criação de grandes conglomerados nacionais capazes de competir lá fora. Então o PT escolhe lá os seus amigos e enche esses conglomerados de dinheiro público porque, sem ele, "não dá pra competir". Veja só o ciclo do intervencionismo: como os obstáculos criados pelo governo (CLT, por exemplo) tiram a competitividade dos produtos nacionais, mais uma intervenção é criada: o subsídio aos grandes empresários escolhidos pelo rei. Esse crédito fácil acaba aumentando a dívida pública do governo, que lança então os seus títulos pra financiar esse passivo. Pra que esses títulos sejam atraentes pros investidores, o governo aumenta os juros que encarecem ainda mais o Custo-Brasil que impede o Eike Batista de competir e o faz, de maneira absolutamente surpreendente, defender o dinheiro que recebe do BNDES. Tenho que aprender a mexer com gráficos e imagens pra criar uma visualização desse esquema, mas você entendeu.

8 comments:

Anonymous said...

É uma pena que eu, na provecta idade em que me encontro, não poderei ler o que o tempo dirá a respeito deste governo tão respeitável e respeitador de todos os direitos.

Anonymous said...

Caro anônimo, não é exclusividade de governo azul, roxo ou vermelho. Desrespeitar direitos, passar por cima de constituição como se vai ali na esquina tomar sorvete, tudo isso é coisa velha de guerra neste nosso pobre país. Vem dos tempos de colônia - e é interessante observar que no Brasio Colônia a distância de Portugal favorecia enormemente a roubalheira generalizada, e hoje a mesma distância da Capitá Federá favorece a mesma coisa... E é interessante perceber que os então rapazes Lucio Costa e Oscar Niemeyer, tão comunistas e socialistas que eram, conseguiram projetar uma cidade que exclui o povo!

Anonymous said...

A wikipédia dirá uma coisa diferente, os livros de história dos próximos 25 anos - tempo em que presumo que o PT permanecerá governo - dirão que foi um governo inclusivista, que deu voz ao povo, realizou obras monumentais visando o bem estar social, e finalmente os livros de história descompromissados dirão que foi um Governo de realizações para o povo semelhante ao de Vargas.
O tempo irá passando e nossos tataranetos saberão tanto deste governo quanto o que sabemos do governo de Artur Bernardes. Mas os pesquisadores, graças a internet, não terão muito trabalho para contar tudo do jeito que foi. Contudo ninguém se interessará minimamente com isso, e esse fato em si, na minha modesta opinião, será o feito mais duradouro deste governo.

Anonymous said...

"Mises dizia que as pessoas agem pra passar de um estado menos satisfatório pra um mais satisfatório, caso contrário não agiriam." Isto não é de grego antigo?

Anonymous said...

Sol, se você fosse o Eike Batista pegaria grana cara no mercado internacional ou pedia pra mamãe? Ele pediu pra mamãe. Eu faria o mesmo. Mami é rica!

Anonymous said...

"Quando o Getúlio Vargas se inspirou no Mussolini"
Gostei de ver os dois cadáveres na mesma linha, pena que um não tenha sido dependurado pelos pés e exposto à execração pública, mesmo pos-morten.

Anonymous said...

Vi outro dia matéria sobre Oscar Niemeyer em que o velho arquiteto sai do seu escritório na Av. Atlântica e entra no seu Mercedes. Ele é moderníssimo, acompanhou a marcha do comunismo para o capitalismo em dois minutos.

sol-moras-segabinaze said...

hehehe