Monday, November 29, 2010
Olinda
Thursday, November 25, 2010
O que é o capitalismo? (2)
Não sei se foi Marx quem inventou esse termo, mas foi ele quem certamente o popularizou. Falo em "capitalismo", mas poderia falar em liberalismo, livre-mercadismo, laissez-faire ou libertarianismo, que não são exatamente sinônimos, mas representam mais ou menos a mesma idéia. Segundo Marx, a história do capitalismo se desenvolve através da "luta de classes" entre opressores (burgueses) e oprimidos (proletários), com os burgueses "explorando" os proletários através da "mais-valia" (lucro). Esse esquema mental é muito popular, sendo adotado por aí de maneira consciente ou não, mas não resiste a uma análise lógica simples, por exemplo: uma diarista, dizem os marxistas, é "explorada" pelos seus patrões, que contratam os seus serviços por X reais por dia. Ela concorda em ser "explorada" por esse valor, faz o serviço e recebe então o dinheiro resultado dessa "exploração". Com ele, ela decide comprar mantimentos na quitanda do seu bairro depois de ter feito as unhas numa manicure. Pergunta aos marxistas: a diarista também "explorou" o dono da quitanda e a manicure ao contratar os seus serviços? Não, ninguém "explorou" ninguém no processo, as pessoas trocaram bens e serviços de maneira voluntária baseadas em seus próprios interesses e necessidades. A dona da casa onde a diarista trabalha não tem poder algum sobre ela a não ser nos termos acordados. A diarista presta um serviço e em troca recebe um valor. Não há coerção entre as partes, há uma troca. Quando compra pão, requeijão e refrigerante na quitanda, ela não está "oprimindo" o quitandeiro, eles estão realizando uma troca voluntária em que ambos saem satisfeitos, caso contrário não a realizariam. Não há conflito entre ela e a manicure, há cooperação. Não respondi exatamente o que é o capitalismo, mas esse último raciocínio dá uma boa pista a respeito.
Wednesday, November 24, 2010
Capitalismo: o ideal desconhecido (1)
Uma pessoa fala uma coisa, a outra entende outra e um monte de diferenças de percepção e preconceitos interditam a discussão. Ok, vamos celebrar as diferenças, mas se a nossa diferença envolver o uso da força de um sobre o outro, vai acontecer um impasse que tenta-se resolver através da política, do jogo de poder que determina como se deve e quem deve exercer esse uso da força. A paz não se impõe com uma arma, mas a paz impõe o uso da arma em legítima defesa. Ou seja, você não pode iniciar agressão, essa é a lei. Caso inicie, uma agressão proporcional contra você é justificada. Há um intenso debate sobre as culpas disso ou daquilo, a origem da propriedade de X ou Y, a escravidão, as capitanias hereditárias, a guerra contra as drogas, a legitimidade do estado e etc. Beleza. O que estou dizendo é que há uma lei acima das ações e papéis dos governos de todas as épocas e lugares que pode-se chamar de "natural", que estabelece que você não pode matar, roubar ou enganar o outro. "Natural" porque não se pode fazer com os outros o que não se quer que façam com você. Ou você quer ser morto, roubado ou enganado? As particularidades e circunstâncias podem justificar algum positivismo nas regras, mas a essência da lei deve seguir esse princípio de não agressão, que "é um princípio ético e jurídico, paralelo ao da propriedade de si mesmo, que sustenta que deve ser legal para qualquer indivíduo fazer o que deseje, sempre que não inicie (nem ameace) violência contra a pessoa ou a propriedade de outro indivíduo. Afirma que a coação - definida como o início de força física, a ameaça de tal, ou a fraude às pessoas ou seus bens pacificamente adquiridos - é intrinsecamente ilegítima e deve ser recusada. O princípio não se opõe à defesa contra a agressão, ao invés, a respalda e legitima." Ou seja, a liberdade de um termina quando começa a do outro. Pretendo demonstrar nos próximos posts, usando como gancho os capítulos do livro da Ayn Rand, que o capitalismo - corretamente compreendido - é o único sistema compatível com o princípio de não agressão.
Tuesday, October 26, 2010
Primavera dos Livros 2
Então passei o cartão com 40% de desconto - lindo projeto gráfico o do livro, realmente - não tem problema, essa máquina é intuitiva e anti-idiota. Se bem que na hora de selecionar entre débito e crédito a coisa não fica clara, não tinha botão pra cima ou pra baixo, tinha que apertar um outro com uma parada escrita que não tinha nada a ver. Fica aqui como dica pra melhoria do serviço pro pessoal da empresa responsável. Sacanagem o RJTV não divulgar o evento, alguém tem
que tomar uma Providência, a garrafa no varejo custa uns 40 reais, sem 40% de desconto, 50% pra professor. Não, não vou me cansar dessas piadinhas, chegam a ser "piadinhas"? Não, servem pra desanuviar o ambiente da feira na sexta-feira tinha música ambiente, com muito rock, samba e MPB da melhor qualidade, comando do Garotinho. Conservador como o Caetano? Você quer dizer liberal? Podia ser mais, bem mais. Disse que pior que um comunista, só um anti-comunista. Como
assim? Então o cara que critica o Fidel é "pior" que o Fidel? Até o Fidel critica o Fidel, fez um mea culpa incrível que não teve a repercussão que deveria ter tido. Viu, 3 variações de um mesmo verbo numa mesma frase. Aliás, por que a Caros Amigos tinha o estande mais destacado da feira? (risos) Não consigo deixar de falar de política porque
a política é uma arena (e não estande) comum a todos nós, QUEIRAMOS OU NÃO WE ARE ALL GOING TO DIE. Então enquanto a gente não morre é importante estabelecer parâmetros legislatórios de acordo com análises lógicas e qualificadas sobre a estrutura da realidade, faliu bonito, quer dizer, falou bonito. Não, não compro livro. Quer dizer, até compro, mas poucos, pra ler antes de dormir, minha biblioteca é a
internet. Não subestimo os clássicos não, não coloque palavras na minha boca, eles também estão na internet. Propriedade intelectual? Assunto delicado, nem tanto quanto o a... deixa disso, vamos falar das flores desta estação maravilhosa, a primavera. Aliás, estamos mesmo na primavera, seu Google? Tinha uma flor no meio do caminho, no meio do ca
minho tinha uma flor. Uma versão mais otimista da pedra no meio do caminho faz o cara se perguntar: que pedra? Pedra que rola não cria limo, sacou bicho? Vai rolando e criando um atrito que remove o limo, uma metáfora sobre a sociedade contemporânea careta e conservadora diferente daqueles loucos anos 60, antes da AIDS e do aquecimento global. Ok, agora eu estou sendo deliberadamente chato. Mas o Dr. Feelgood é outro
cara, aquele de laquê, maquiagem e cheio de dentes. Ainda bem, depois de beber um açaí é bom mesmo escovar a dentadura 0800 com o crachá da firma, se lembra do Bozó? Bozo e Bozó, duas figuras diferentes, se liga na missão, os caras não reconhecem um fato como verdadeiro se ele não for útil à causa, não te disseram a vida inteira que a verdade não existia? Então, vai vendo.
Monday, October 25, 2010
Primavera dos Livros
O homem parou, olhou, pegou o panfleto e se encaminhou pro outro estande onde estava uma bela mulher. Num relance, seus olhares se cruzaram e se estabeleceu que "se estabeleceu" não segue a norma culta estabeleceu-se que é. Li umas poesias lá. Por não falar nisso, viu-se ainda algum orgulho com o Lula e o PT, p
essoas com adesivos da Dilma e um casal fantasiado com bandeira e tudo se encaminhando pro estande da Caros Amigos conferenciar com cineastas e outros militantes da causa. A causa? O controle da sua vida, caro leitor. Quer dizer então que o gigante gentil jogou longe aquele jornalista famoso cujo nome não vou revelar porque nã
o quero fazer frases longas, eu mesmo esqueci do que tava falando. Claro que não, ele não teve nenhuma intenção, foi pura energia rock'n'roll numa roda de pogo combinada com o corpo robusto de um e a formação mirrada do outro, adjetivação plenamente justificada, pode confiar. "Falei com todos os médicos do Botafogo e posso te garantir que o Garrincha e outros jogadores faziam infiltração no joelho. Só que não foi isso que mais o prejudicou." A gente sabe beber no almoço antes da feira e curtir um anoitecer
junto com os gansos no lago de frente pra gruta. O ambiente é l
egal onde o Getúlio deu um tiro na cabeça. Mas na Rua do Catete, uma meia dúzia vinha me abordar pedindo dinheiro e quase levei um estabaco na pedra derrapante da calçada. "nA PEDRA derrapante DA CALÇada", hoje eu tô muito literato. Porque eu não tenho costum
e de ler livros de ficção, quem perguntou, né? Ninguém precisa perguntar, por isso escrevo aqui. O suporte físico não vai morrer, mas vai virar um negócio de colecionador essa coisa do governo ser o maior comprador, tô falando dos livros de um modo um tanto torto pra retomar o fio da meada. Tá vendo, já esqueci do que eu tava falando... Esqueci nada, é só charme. Ir pra São Paulo ver o Pavement? Tocar violino no show da PELVs, agora não
sei se é violino ou rabeca, mas, em todo caso, vou encher isso aqui de vírgulas e botar a maior pilha indie, a pírgulindie. Não sei se chega a rolar pogo num show do Pavement, mas só em falar POGO I feel young again. You're still young, dummie. Well... É, entabula um papo sobre a
morte, a gente taí pra isso mesmo, levantar o astral da rapaziada, o desconto é de 40%, 50% pros professores. Sim, vou confiar na sua palavra, nem a chefia pede documentação, sou apenas uma mola nessa grande engrenagem que é o SISTEMA, obrigado pela oportunidade. O cara do Vasco foi expulso? Beleza, vai rolar uma pressão
e o Flamengo logo empata, futebol também é cultura, pô. Leia o Vermelho e o Negro do Ruy Castro pra ver como o Flamengo tem uma linda história, não eram só playboyzinhos dissidentes do Fluminense, falar de futebol é muito mais confortável que de política. E o tempo, hein? Não, não vou me calar. Quer dizer, vou falar quando senti
r necessidade, as pessoas com crachá não pagam pra usar o banheiro, 1 real. TOO REAL. 5 aplausos, declamando minhas entranhas estranhas na tenda em frente à carrocinha do Geneal. Sim, é genial. Sem catchup, por favor. I'll catch you up later. See, it never ends... No, it ends.
Sunday, October 17, 2010
A lógica dos 7 pecados
Thursday, October 07, 2010
Contradições e inconsistências lógicas
Época de eleição é uma maravilha em matéria de enrolação, contradição e inconsistências lógicas em geral, sem falar nas mentiras puras e simples. Os candidatos falam o que as pessoas querem ouvir, o lance é prometer isso e aquilo pra agradar o máximo de eleitores. Democracia, um arranjo delicado que pode descambar com muita facilidade pra uma ditadura da maioria ou pra uma ditadura de uma minoria que soube manipular a maioria. Como a ideologia que norteou os sonhos de mudança no século passado (socialismo) foi um fracasso óbvio e a alternativa (capitalismo) é quase que unanimamente rejeitada pela galera intelectual - que não vai fazer um mea culpa nessa altura do campeonato e dizer que "realmente, lutei minha vida inteira por uma causa furada" - o pragmatismo passou a ser a filosofia não declarada da vez, o que faz bastante sentido, porque ela não propõe nada específico, pragmatismo é tudo aquilo "que dá resultado". Resultado pra quem? Pra quem tem o poder, claro. Então, como diria um blogueiro progressista, a política estabelece a moral, ou seja, quem tem o poder determina o que é certo e o que é errado. Como não dispõem de instrumentos teóricos consistentes e coerentes (descartados de antemão como dogmatismo) - por causa da desconfiança criada pela diferença entre os objetivos alardeados pelo socialismo e os seus resultados práticos - as pessoas então misturam as estações, defendendo uma coisa numa hora e contradizendo-a logo em seguida. Os políticos fazem isso de caso pensado, a maioria dos eleitores, não.
Tuesday, October 05, 2010
Questão de crença ou conhecimento
Monday, October 04, 2010
Discutindo Ayn Rand
Rand começa dizendo que a Idade Média foi regida pelo misticismo, numa época em que a filosofia era considerada uma extensão da teologia, relacionando a forte influência de Platão com Santo Agostinho, "um platônico". O renascimento da filosofia de Aristóteles se deu, segundo Rand, via São Tomás de Aquino, "que trouxe de volta a parte principal da filosofia de Aristóteles, a epistemologia (lógica e razão)". [esse descolamento da parte mais platônica da religião coincidiu, não por acaso, com o surgimento do renascimento e o fim da idade média, evidenciando a importância da base filosófica na "vida prática"] O entrevistador então pergunta a opinião de Rand sobre a influência de Kant na filosofia. Ela explica que Kant desenvolveu um esquema falso, que desqualifica a mente humana ao descrever a realidade como uma ilusão criada pela percepção. Para Kant, o homem não seria capaz de "ver as coisas como elas são", um ataque, segundo Rand, ao poder da consciência, "negando a realidade e a validade das nossas percepções". [sem falar naquela divisão entre o mundo numenal e fenomenal, o fenomenal sendo aquele em que vivemos, onde não conseguimos "ver as coisas como elas são", ao contrário do numenal, onde conseguiríamos ver the real deal se essa dimensão fora do nosso alcance realmente existisse. Kant queria assim justificar o misticismo e os seus mundos incognoscíveis através de uma "razão pura"] O entrevistador menciona as duas personificações mais presentes no exercício do poder ao longo da história segundo a própria Rand, os chamados Átilas e os Feiticeiros (witch doctors). Ela diz que a razão é a única forma de se perceber a realidade ao integrar o material fornecido pelos sentidos. A razão, porém, não funciona automaticamente, ela tem um caráter volitivo. A maioria das culturas, ela continua, foi governada pelos chamados witch doctors, que "são guiados não pela razão, mas pelas suas emoções, funcionando com base na fé", uma crença sem evidência que encaram como guia no mundo real. [me desculpem os amigos religiosos, mas a fé é um salto no escuro que, parafraseando Kant, não tem a ver "com as coisas como elas são". claro que existem religiões mais civilizadas e menos irracionais que outras - e a liberdade religiosa é um valor inegociável - mas todas são irracionais. não estou dizendo que todo religioso é irracional, estou dizendo que buscar a verdade a partir da fé é irracional] Como tem que lidar com os outros homens, o witch doctor acaba se juntando ao Átila, "seu aliado natural, o chefe primitivo de uma tribo que age sempre no calor do momento, se recusando a considerar idéias, princípios ou abstrações". Os Átilas, "os gangsters, os ditadores e os chefes militares", lidam com os outros na base da força. "Em qualquer época da história e na maioria dos lugares, o poder foi exercido por uma aliança entre os witch doctors e os Átilas". [veja a nossa eleição, por exemplo, e o esforço feito pelos candidatos pra agradar, ou ao menos não desagradar muito, os líderes religiosos. veja a aliança entre Lula e Edir Macedo, o presidente que usa a força do poder pra impor a sua agenda e o bispo que usa a força da fé pra angariar mais poder] O homem da fé dando a sanção moral pra que o homem da força a imponha. Na sociedade atual se vê o mesmo fenômeno, e ela cita os "leftists, liberals and socialist intellectuals" como sendo os novos-místicos que tentam justificar o uso da força, porque - como Kant - não reconhecem a validade da razão. [os esquerdistas se acham muito sensíveis e humanistas, mas a sua agenda só se realiza com o uso da força. se você quer equalizar a sociedade de cima pra baixo, enfraquecendo uns e fortalecendo outros, você vai ter necessariamente que ter mais força que todos os outros, numa coerção-compassiva (a hipótese otimista)] O entrevistador então pergunta por que os místicos precisariam dos homens da força. Como colocam as emoções em primeiro lugar e negam os fatos, explica Rand, os místicos não conseguem lidar com a realidade e, por isso mesmo, formam uma aliança com os Átilas, que os protegem e impõem os seus dogmas. [uma das conquistas do iluminismo - e uma das consequências do renascimento - foi a separação entre o estado e a igreja. claro que nem todos os lugares chegaram lá, veja o mundo muçulmano] (http://www.youtube.com/watch?v=lrr2wfm4fNY)
Wednesday, September 22, 2010
Pra quem "não acredita" em ideais
"Não acredito em ideais, muito menos universais." Há todo tipo de ideal, mas alguns são prioritários se você valoriza a sua vida - e você a valoriza, por mais que racionalize esse fato. Sabe como é, a mente também tem o poder de "negar" o poder da mente. O ideal é ter saúde e não doença. O ideal é fazer parte de relações voluntárias e não compulsórias. O ideal é que ninguém te roube, engane, agrida ou mate, certo? Se a gente universalizar esses ideais, chegamos à conclusão de que ninguém quer ser roubado, enganado, agredido ou assassinado, de que todos preferem a saúde à doença, o entendimento à coerção. Se o ideal nem sempre é alcançado, isso não o invalida, ele continua ali servindo como um norte. Imagino que quem diz "não acreditar em ideais" esteja se referindo especificamente à ideologia política, como se a hegemonia desse ou daquele "ismo" não tivesse nenhuma relação com esse ideal de valorização e preservação da vida - o que me leva a um outro raciocínio muito comum. Alguém escreveu "estatização é o caralho" pra desqualificar um candidato à presidência e logo depois, pra mostrar que também não acredita nesse papo de ideologia, tascou um "e privatização é o meu ovo esquerdo." Temos aí claramente a contraposição entre o socialismo (estatização) e o capitalismo (privatização). Essa é a questão política fundamental e quem diz que "tanto faz" está ignorando as implicações práticas dessas visões, porque cada uma delas trata do modo como o poder deve ser exercido e existem diversos exemplos históricos de como essas ideologias contraditórias influenciaram e influenciam a qualidade de vida mundo afora. Ou você toma a decisão de usar a sua capacidade pra julgar esses resultados ou permanece preso num cinismo relativista que coloca tudo num mesmo saco, sem perceber as consequências que essa atitude pode causar sobre a sua própria sobrevivência e felicidade.
Tuesday, September 21, 2010
O welfare state e a xenofobia
Como previsto pela lógica econômica, o welfare state europeu está promovendo uma escalada da xenofobia. A reportagem do O Globo, um primor de desinformação, anuncia que o resultado das eleições na Suécia "abalou os pilares da tolerância e consolidou uma guinada à direita no maior ícone europeu da social-democracia." Isso quer dizer que, no dicionário político do repórter (a matéria não é assinada), a esquerda representa a "tolerância" e a direita representa a "intolerância". Sei. Primeiro a reportagem avisa que a EXTREMA-DIREITA-ULTRA-CONSERVADORA-RUN-TO-THE-HILLS ganhou da esquerda boazinha, mas logo depois esclarece que "a direita sueca parece ter caminhado para o centro em seu discurso". Tá confuso o repórter, mas a coisa não é complicada de entender. O que é o welfare state? É um sistema em que o governo tenta garantir um mínimo de "bem-estar" ao cidadão, mesmo que ele não trabalhe ou tenha uma fonte de renda. Essas garantias são bancadas pelos impostos sobre o setor produtivo e o arranjo funciona se esses gastos não excederem a receita. Acontece que essa alta carga tributária acaba tirando a competitividade das empresas ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas recebendo os benefícios. Essa encruzilhada contábil se complica ainda mais quando chega muita gente de fora atrás desse "bem-estar", quem não quer receber sem trabalhar? Se esses imigrantes (100 mil por ano) têm muitos filhos e se recusam a assimilar os costumes locais, a bomba está armada, a conta não fecha mais. Aí os benefícios diminuem - "temos que apertar os cintos" - e a frustração generalizada vai buscar bodes expiatórios. "Se eu for eleito, vou limitar a entrada dos muçulmanos pra que os filhos legítimos desta terra mantenham o seu estilo de vida." Voilá, o welfare state, que prometia almoço grátis, agora fecha as portas.
Monday, September 20, 2010
Progressives, conservatives and libertarians
Thursday, September 16, 2010
Ou vendo Radiohead, certamente ouvindo
Eu devia escrever mais sobre futebol, falar do Flamengo e das particularidades de cada time, sei lá se cada time é tão particular assim, claro que é, se fossem iguais teriam o mesmo nome, veja então o Flamengo do Piauí e o Botafogo da Paraíba, você tem que aparar melhor as arestas do seu discurso, meu bom. Tinha uma outra parada muito maneira que eu ia falar, mas esqueci. Claro que tem patrulha pra tudo, cê acha que na época do Elvis não rolava patrulha,
na época dos Beatles não rolava patrulha? P-A-T-R-U-L-H-A. Patrulha do Espaço, não vou me esquecer de você, com suas navezinhas meio Jetsons, porque a Patrulha do Espaço precisa de portabilidade e mobilidade, como um anúncio de celular. Claro que somos acidentes esperando pra acontecer, isso
é genial, porra. Imagina a probabilidade daquele espermatozóide penetrar naquele óvulo? Estamos acontecendo. It's gonna be a glorious day. Não, só vou escrever aqui coisas que aperfeiçoem a sociedade brasileira, nada dessas veleidades pessoais, se controle, hom
em. "Na vida privada temos o direito à diferença. Na vida pública, o propósito da organização social é a igualdade de todos perante a lei." Isso é o que se vê? O que s
e vê e o que não se vê, mais um pouco e rola uma concretude poética. "A vida privada se constitui em torno do reconhecimento da diferença e da liberdade de cada um em construir seus
próprios valores. Uma pessoa pode achar mais importante ganhar dinheiro, e outra estudar. O resultado é que elas certamente serão desiguais no estilo de vida e, naturalmente, na quantidade de bens que irão amealhar." Alguém digitou "compare fascismo com o liberalismo" no Google e foi parar no meu saite. Desista, amigo. Claro que a TV é um instrumento pra se chegar à verdade, ela não é a verdade, sei que todos aqui entendem essa diferença. Diminuiu, mas... Veja como é curioso o sobe e desce dessa palavra "Diminuiu". Como eu ia dizendo, rolava uma coisa meio "odeio TV" um tempo atrás, ainda rola mas diminuiu, porque - eis a minha teoria - os comunistas e simpatizantes associavam a TV à TV Globo, dona da maior audiência. Então os comunistas e simpatizantes chegaram ao poder e trataram de encher de dinheiro públi
o pra tentar competir e quebrar o "monopólio" da TV Globo. Comunistas e simpatizantes, como se sabe, só aceitam um tipo de monopólio e não gostam de competição, aliando-se então aos evangélicos, o que só faz crescer em mim a crença de que nos encaminhamos pra uma nova Renascença. Putz, e aquele início de Exit Music (for a film) que fica só o Thom no violão e o cara no seu cangote tentando ca
ntar junto no seu ouvido? E puxando palma fora do tempo? É a Patrulha da Platéia, se esforçando pra tornar melhor essa experiência, distribuindo shhs desde a Blitz no Canecão em 1984. Tá bom, né?, já escreveu demais. Não, o show não acabou. I do not / understand / what it is / I've done wrong. Pensa mais um pouquinho que você entende. This one is for Franz Kafka... He's dead, but, anyway... We love you!... Shhh! "Ator, para mim, tem que dar a bunda." Tratava com a mesma dureza as mulheres, mas era compreensiva com os travestis. "A
s pessoas têm de ter paciência com as ‘meninas', entender que elas querem ser femininas e por isso não é fácil bancar a ativa diante da câmera." É, amigo, num tá fácil pra ninguém.
Wednesday, September 15, 2010
Sobre o Projeto Vênus 3
"Uma economia baseada em recursos é um sistema onde todos os bens e serviços estão disponíveis sem o uso de dinheiro, crédito, escambo ou qualquer outro sistema de débito ou servidão." Uma parada meio mágica - tudo está disponível pra todos - isso deve contrariar algumas leis da física, não é possível. "Todos os recursos tornam-se patrimônio comum de todos os habitantes, não de apenas uns poucos selecionados." Sei. E quando eu e o meu vizinho quisermos o mesmo recurso, como é que faz? Aliás, que mal lhe pergunte, quem produz esses recursos? "A premissa sobre a qual esse sistema é baseado é a de que a Terra seja abundante em recursos." Entendi, um apartamento vai se materializar - PUF! - na minha frente do nada, os recursos são abundantes. "A sociedade moderna tem acesso à tecnologias de ponta e pode disponibilizar comida, vestimenta, moradia e assistência médica." Qual "sociedade moderna" não disponibiliza essas coisas? O Afeganistão? O Gabão? "Através da provisão de uma economia projetada de forma eficiente, todos podem desfrutar de um elevadíssimo padrão de vida com todas as amenidades de uma sociedade altamente tecnológica." Economia projetada por quem? Por você, Jacque Fresco?
Sobre o Projeto Vênus 2
Meses atrás, dois amigos me falaram, no mesmo dia, do Projeto Vênus. Aquilo era coincidência demais e lá fui eu tentar entender do que se tratava. Selecionei algumas declarações do líder do movimento, Jacque Fresco, e tentei demonstrar que toda aquela retórica contra o dinheiro e a ganância era apenas uma reedição tecnologizada do velho e mau comunismo. Pra minha surpresa, esse texto tem sido muito acessado e alguns adeptos chegam a mandar mensagens reclamando que eu não posso dar um veredicto sobre o movimento baseado somente nessas declarações do seu líder, que eu tenho que me aprofundar no assunto coisa e tal. Discordo disso, se o camarada diz que o lucro é a raiz de todo mal, já sei que a coisa não presta, mas decidi pesquisar um pouco mais. Foi quando descobri que, não apenas o Projeto Vênus tem simpatia pelo comunismo, como tem no ambientalismo uma das suas principais bandeiras. What a fucking surprise... Repararam na quantidade de comunistas que se bandearam nos últimos tempos pro ambientalismo? Claro, controlar os outros no modo soviético pega mal hoje em dia, tem que se encontrar uma maneira melhor de castrar o ser humano, e o meio-ambiente é a bola da vez. É o comunismo sustentável, não basta mais você entregar a sua vida à comunidade, agora você tem que se sacrificar também pelo meio-ambiente, que não tem advogado e não pode se defender. "O Projeto Vênus foi fundado na ideia de que a pobreza, o crime, a corrupção e a guerra são causadas pelas neuroses e escassez criadas pelo sistema econômico vigente, que é orientado ao lucro e que reprime o progresso de tecnologias benéficas à sociedade." Dá vontade de chamar de "idiota" quem escreve um negócio desses, mas sou educado. A escassez não é criada "pelo sistema econômico vigente", a escassez é uma realidade da existência, independente de capitalismos ou comunismos. Estabelecer um sistema que crie os incentivos e mecanismos necessários pra lidar com esse fato deveria ser o objetivo de qualquer um que valorize a própria vida e a dos outros, mas pra isso é preciso estudar economia e compreender que todo mundo quer ter "lucro", quem quer ter "prejuízo" é um suicida em potencial. "Fresco teoriza que a progressão da tecnologia, se esta fosse continuada para além do limite do que é lucrativo, fará com que mais recursos estejam disponíveis para mais pessoas, produzindo uma abundância de produtos e materiais." Crazy talk, "para além do que é lucrativo", what the hell does that mean? Sem lucro, tecnologia nenhuma é continuada. É o lucro, ou a perspectiva de lucro, que faz avançar o progresso tecnológico. Como se produz abundância através do prejuízo, tem como me explicar isso, seu Fresco? Depois escrevo mais a respeito, a coisa é divertida.
Tuesday, September 14, 2010
Tapa na cara 3
Se consolidou ao longo da história uma grande confusão conceitual, a identificação automática da moral com a religião. ["ó deus-macaco, eu te reverencio com todo o meu louvor", diz o homem de fé] Então o camarada que não acredita em Deus faz, por associação, de tudo pra também desacreditar a moral, como se ela fosse algo arbitrário que servisse apenas pra submetê-lo a uma autoridade invisível capaz de castigá-lo por toda a eternidade. ["falaram que você era o divino e eu acreditei"] Não são necessários 10 mandamentos pra saber que matar, roubar e enganar são atos imorais e, portanto, errados. ["mas fiquei meio em dúvida, porque por aqui cultuam também os elefantes, as vacas e até os ratos... por que escolhi o macaco?"] Por quê? ["era o deus de preferência dos meus pais, deve ser isso... ou não, sei lá", o homem de fé raciocina] Porque você não quer ser morto, roubado ou enganado, não precisa de Deus nenhum pra chegar a essa conclusão. ["meu deus-macaco tem umas regras meio malucas, espero que ele não perceba essa dúvida no meu coração", o homem começa a questionar a sua fé] Se você só não faz essas coisas por medo de um eventual castigo divino, qual o valor então das suas ações? ["talvez o deus-elefante tenha mais a ver comigo, esse meu deus é parecido demais com os homens, tem alguma coisa errada..."] Você não está sendo correto porque quer que os outros também sejam corretos com você, mas porque teme a autoridade invisível. [o macaco tenta então intervir: "uh, uh, uh... ah, ah, ah..."] Se você não respeita a própria capacidade de entender o que é certo ou errado, por que respeitaria essa capacidade nos outros? [o homem reacende a sua fé: "finalmente um som divino do meu deus, mas não compreendo o que ele quer dizer..."] Eis uma raiz das guerras santas, a desqualificação da consciência individual e a consequente supremacia dos representantes terrenos das autoridades invisíveis. ["eu imploro, ó deus-macaco, me dê mais algum sinal..."]
Monday, September 13, 2010
Tapa na cara 2
Tava passeando pelo twitter e avisaram que um blogueiro progressista muito progressista tava respondendo umas perguntas no seu Formspring. [o boneco se arruma todo empertigado pra naitchi] Sou curioso, não tem jeito, e fui lá ver o que ele pensava da vida. [o boneco pode ser meio afrescalhado, mas gosta de bonecas] Uma pessoa então perguntou como o blogueiro se definia filosoficamente e lá pelas tantas ele respondeu que a política determinava a moral. ["vou pegar várias com a minha mão meio Playmobil"] Ou seja, pra esse comunista, quem quer que se aposse do poder tem o direito de impor a moral a ser seguida (menos quando são os adversários, aí essa receita perde a legitimidade, coisas da dialética). ["não sei se você notou, mas sou uma evolução mais realista dos Playmobis", ele esclarece] Não acreditam em princípios universais válidos pra todos, por isso usam de dois pesos e duas medidas, condicionando tudo ao jogo de poder. ["vários filés plastificados na área hein...", o boneco constata satisfeito ao chegar na buatchi] Levando isso ao extremo, se 50% + 1 dos eleitores decidirem que é moral (e nesse caso, legal) mulheres louras darem tapas, do nada, em homens com cabelo lilás, voilá, está justificada a agressão. [avistou então uma boneca loura de vestido rosa, ficou excitado e foi lá passar um lero] É a mentalidade do uso da força em ação, se a gangue X tiver o controle do aparato de coerção, os outros que aguentem, a política determina a moral (e nesse caso, a lei). ["minha deusa, o que você acha da gente se unir num só coração?"] Porque a moral pode ser um conjunto de princípios abstratos, mas é ela que, em última instância, deve orientar a lei e não o contrário. ["antigamente tinha mais mistério e romance, vou te contar...", a boneca lamenta, tentando afastar o boneco inconveniente] Se uma lei não encontra correspondência com a moral correta, ela vai ser constantemente desrespeitada, gerando um ciclo de culpa e corrupção. ["pára com esse doce que eu sei que você quer também...", o boneco insiste] A moral - como as relações - tem que ser voluntária, se for forçada não é mais moral, mas apenas uma simulação covarde e sem convicção. ["boneca, você acha que me engana com esse vestidinho rosa de piranhona? Romance, sei... Vem cá me dar um pouquinho desse mel..."]
Friday, September 10, 2010
Tapa na cara
"Ah, essa moral fica aí me castrando, não há nada que prove a necessidade de uma moral, seu moralistinha de meia tigela reacionária." [o homem já passou por poucas e boas, se aproximando dos seus 60 anos um tanto desiludido com as mulheres] O que é a moral? "Moral deriva do latim mores, que significa 'relativo aos costumes'" ou então "conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada." [tinha decidido nunca mais dar trela pra elas, não quer mais se sentir fragilizado, "já passei dessa fase", diz pra si mesmo] Então a moral fala de como a gente deve agir em determinada circunstância, em relação a nós mesmos e em relação aos outros. [mas a solidão de vez em quando aperta, "eu me basto", diz sem muita convicção] A moral não pode ser algo arbitrário ou sem sentido, porque dela depende a própria sobrevivência da humanidade, sua prosperidade ou decadência. [o homem está estabilizado financeiramente, mas sente - lá no fundo - que falta alguma coisa] Sei que soa meio apocalíptico, mas é isso mesmo. [então num desses momentos de vazio existencial, ele encontra uma mulher jovem e bonita (pelo menos essa é a sua primeira impressão)] Porque a moral existe pra promover a convivência civilizada entre as pessoas, pelo menos este é o ideal de quem valoriza a vida. [então o homem vence a sua resistência interna alimentada por algumas experiências traumáticas e começa a se encontrar com essa mulher] Quem não valoriza a vida (da boca pra fora) e quer instalar o caos e a confusão vai desqualificar esse esforço, mas essas pessoas estão em desvantagem porque o sangue quer viver, todos os nossos instintos clamam pela sobrevivência. ["por que você não vem morar comigo?", ele pergunta depois de algumas semanas quentes com a mulher] O lance é estabelecer que princípios são esses que vão reger a moral e como chegar até eles. [a convivência e a rotina revelam um outro lado da mulher, "ela tem que tomar tarja preta, tadinha..."] Através da religião (revelação divina)? [deus do céu, por essa o homem não esperava, aquela mulher doce de outrora fica agora controlando os seus horários, logo os dele, orgulhoso lobo solitário] Ou através da razão (consciência individual)? ["tive uma reunião que foi até mais tarde, querida...", mas ela não acredita e, num acesso de fúria depois de esquecer a medicação, retalha todos os ternos do homem] Há um motivo que faz ser errado eu chegar e dar, do nada, um tapa na sua cara e ele não serve apenas pra te proteger, serve pra proteger todos nós. ["me bate se tu é homem!", ela provoca]
Monday, September 06, 2010
Sobre o PT e o poder

Os fatos estão gritando, mas as pessoas parecem satisfeitas com o rumo das coisas. O PT foi fundado por intelectuais da USP, pela galera católica da Teologia da Libertação e pelos sindicalistas como um partido socialista que, mesmo assim - defendendo um sistema de concentração de poder que naquela época já havia fracassado miseravelmente (fora o baile genocida) - conquistou a esperança das pessoas. A coisa estava errada desde o início, porque o socialismo não funciona e nunca funcionou, mas o apelo "pelos pobres" e "contra as desigualdades" encontrou terreno fértil nas mentalidades coletivistas e altruístas (da boca pra fora) dos formadores de opinião que, com algumas exceções, não iriam fazer um mea culpa e admitir que defendiam há décadas um modelo inerentemente autoritário. Claro que, seguindo o duplipensar orwelliano (impossível não citá-lo diante das circunstâncias), "ditadura" pra essa gente é "liberdade" e assim por diante, num processo de inversão e esvaziamento do significado das palavras como nunca se viu antes na história deste país (obrigado, Escola de Frankfurt, desconstrucionistas e pós-modernistas). Numa sociedade já extremamente estatizada, a tendência é que a solução dos problemas (reais e imaginários) passe pela mão visível do estado e a arenga da "vontade política" petista acabou encontrando bastante eco. Não apenas isso, mas a filosofia católico-altruísta dominante (da boca pra fora) deu ao PT um senso de superioridade moral que permitiu ao partido (e mais ainda, ao seu líder, um sindicalista carismático) certas liberdades éticas, afinal de contas, se houveram desvios eles aconteceram "em nome da causa" (socialismo?). Sim, o socialismo, como está fartamente documentado nas atas do Foro de São Paulo ("recuperar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu") e em vídeos institucionais do próprio partido ("O socialismo petista" http://www.youtube.com/watch?v=RnCU7dbFL_8), caso as tentativas reiteradas de controle da imprensa e suas alianças diplomáticas (Cuba, Venezuela e Irã) não tivessem dado pistas suficientes. Óbvio que o socialismo contemporâneo não acontece de uma vez só, como a Revolução Bolchevique, a sua instauração deve muito às formulações de Gramsci e acontece aos poucos, com o domínio da cultura (coincidência os artistas, jornalistas e professores universitários serem majoritariamente "de esquerda"?) assentando as bases pro domínio do partido sobre os instrumentos de poder. A coisa se dá quase de maneira anestésica (pelo menos pros que não se dão conta do que está acontecendo), como algo inevitável pelo próprio consentimento dos "cidadãos conscientes" e o aparelhamento do estado já paquidérmico pelo partido e pelos seus aliados no sindicalismo. Se a "justiça social" (um eufemismo pro socialismo) é um imperativo categórico e o PT encarna esse ideal, não vão ser alguns desvios e corrupções que impedirão esse objetivo, essas falhas serão desculpadas por algo maior, o estabelecimento da "justiça social". Ou seja, esse processo circular de servidão da sociedade ao partido foi e está sendo voluntário, porque ainda há algum espaço pro mercado numa variação fascista ("não estatize as empresas, estatize as cabeças") e o sistema está conseguindo funcionar, pelo menos por enquanto. Com uma vitória no primeiro turno, as tentativas de controle esboçadas pelo "Plano Nacional dos Direitos Humanos" (mais duplipensar) terão mais legitimidade e força pra sair do papel, minando ainda mais as liberdades e a economia. O plano do PT é avançar a estatização o quanto puder com Dilma, pra que Lula volte e tente completar o serviço a partir de 2015. Serão anos interessantes de acompanhar, trágicos, mas interessantes.
Friday, September 03, 2010
A diferença entre poder político e poder econômico
O governo anuncia o aporte de 100 bilhões de reais na Petrobras, certamente pra aumentar a sua participação na empresa que abriu o seu capital anos atrás. Os sindicalistas e políticos ainda não se conformaram que o petróleo não é mais 100% deles e o governo usa de manobras contábeis pra retomar o controle completo dessa Jóia da Coroa, notaram como "privatização" virou um palavrão? Sob o ponto de vista da eficiência econômica, isso não tem razão de ser. Veja a Vale do Rio Doce, que rende mais em impostos hoje do que jamais rendeu quando era estatal. Só que "eficiência econômica" não é bem a prioridade do poder, a prioridade do poder é ter o máximo de instrumentos pra se manter no poder, e as estatais são ótimas pra isso porque servem como moeda de troca no toma-lá-dá-cá do jogo político. Essa mão-lava-a-outra, claro, não se limita à política, veja o prestígio que as estatais têm entre o pessoal da cultura com seus patrocínios e editais, eficiência econômica my ass, verba a fundo perdido yes. Mas qual é a diferença entre poder econômico e poder político? Você provavelmente já ouviu alguém jogar as duas coisas num mesmo saco, igualando desiguais pra beneficiar um dos lados. Uma empresa privada oferece produtos no mercado e precisa agradar os consumidores pra ter lucro e não ir à falência. Uma empresa estatal não segue essa mesma lógica, porque tem por lei diversos privilégios de mercado. Se, mesmo assim, der prejuízo, ela sempre pode contar com a capitalização do governo. Uma empresa privada pode ser milionária, mas se deixar de oferecer produtos com a qualidade e o preço demandados pelos consumidores, a concorrência vai tomar uma parte do seu mercado e ela pode falir. Ou seja, a sobrevivência de uma está relacionada à sua capacidade de agradar os consumidores, a sobrevivência da outra está relacionada à sua capacidade de usar a força da lei pra garantir um privilégio.