Thursday, January 21, 2010

Aos meus amigos progressistas

"Qualquer um que se atreva a defender os princípios liberais numa sociedade como a nossa, onde o discurso prevalece sobre as atitudes e as versões têm peso maior do que os fatos, é imediatamente tachado de egoísta, ganancioso, sem coração e outras alcunhas não menos abjetas. Caso você não acredite realmente naquilo que advoga, o fardo das críticas – talvez o mais correto fosse dizer censura – pode ser muito pesado, especialmente quando partem de pessoas que nos são caras. É a esses que dirijo estas linhas, na esperança de que possam entender um pouco melhor o meu pensamento. Não raro, vocês progressistas consideram-se mais humanos que os demais. Não duvido das boas intenções de alguns, embora, como muito bem resumiu Doug Carkuff, dada a História da humanidade, seja preciso ser meio obtuso para acreditar que o coletivismo, de qualquer tipo, possa gerar algum resultado que não miséria e sofrimento, principalmente para os mais vulneráveis. Malgrado as lições da História, vocês não parecem capazes de enxergar as implicações e as consequências não intencionais da sua filosofia. Para a maioria de vocês, tudo parece girar em torno de como se sentem sobre si mesmos e do senso de justiça que a sua “generosidade” lhes proporciona. Como bem escreveu Bastiat, apesar de não fazermos uso dessas palavras rotineiramente, nós liberais também saudamos com emoção as virtudes da caridade, da solidariedade e da justiça. Consequentemente, desejamos ver os indivíduos, as famílias e as nações associarem-se e cada vez mais ajudarem-se mutuamente. Comovem-nos, tanto quanto a qualquer mortal de bom coração, os relatos de ações generosas e a sublime abnegação de algumas belas almas em prol dos mais necessitados. Além disso, a maioria de nós quer muito acreditar nas boas intenções desses intelectuais e políticos da esquerda, que pretendem extinguir dos corações humanos o sentimento de interesse, que se mostram tão impiedosos com aqueles que defendem o individualismo e cujas bocas se enchem incessantemente das palavras abnegação, sacrifício, solidariedade e fraternidade. Queremos sinceramente admitir que eles obedecem exclusivamente a essas sublimes causas que aconselham aos outros; que eles dão exemplos tão bem quanto conselhos; que colocam as suas próprias condutas em harmonia com as doutrinas que defendem; queremos muito crer que suas palavras são plenas de desinteresse e isentas de hipocrisia, arrogância, inveja, mentira ou maldade. Vocês também nos acusam de utópicos. Nada poderia ser mais errado. É engraçado que justamente aqueles que pensam poder moldar e regular, nos mínimos detalhes, as mais complexas sociedades, nos acusem disso, sabendo que o liberalismo é a única doutrina política e econômica que realmente leva em conta os vícios humanos – e não apenas as nossas virtudes –, a ponto de estabelecer, como um princípio, que não se pode dar a nenhum homem poder para dirigir as vidas de outros homens. Utopia, meus caros, é acreditar que os indivíduos são incapazes de governar as próprias vidas, como muitos de vocês progressistas acreditam, mas são capazes de governar a vida dos outros." - João Luiz Mauad (http://www.midiaamais.com.br/cultura/2243-aos-meus-amigos-progressistas).

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