O Alex (Guarani-Kaiowá) Antunes descobriu o meu texto sobre o Napalm e a Virada Cultural e resolveu compartilhá-lo duas vezes na sua página do Facebook. Eu entendo, cada um é o assunto favorito de si mesmo. À minha pergunta "alguma dúvida de que ele (AA) vai privilegiar (na escalação do tal festival com dinheiro público) aqueles de acordo com a sua agenda 'contra o pensamento branco'?", ele respondeu: "nenhuma". Gostei da sinceridade, mostrou que o racismo contra o branco (o "branco" possível num país miscigenado como o Brasil) já está tão disseminado que intelectuais orgânicos como o Alex Antunes nem disfarçam mais as suas intenções. E quais seriam elas? Reparar injustiças históricas (como se elas acontecessem no vácuo, sem um contexto) usando o monopólio das leis e das armas (o governo) pra beneficiar uns (os herdeiros dos oprimidos) às custas dos outros (os herdeiros dos opressores). Ou seja, institucionaliza-se o racismo intergeracional como política pública. "Mas é pra acabar com o preconceito e a discriminação..." Não se acaba com o preconceito e a discriminação a não ser que se acabe também com a liberdade de escolha e pensamento; aliás, nem assim, mais capaz de se aumentar o ressentimento entre as, vá lá, "raças". Será que não passa pelo radar desses justiceiros sociais que - ao se recusar uma igualdade perante a lei que incentivaria o melhor de cada indivíduo único, pessoal e intransferível - está se estimulando um conflito que, aí sim, não vai ter fim? Agora são os "negros" e "índios" a reclamar do passado, no futuro serão os "brancos" a reclamar do presente. Quando isso vai parar e as pessoas vão poder se relacionar como seres humanos responsáveis pelas próprias vidas? Aparentemente nunca, se você acreditar - como esse pessoal acredita - em alguma espécie de determinismo social, racial, sexual ou histórico. No segundo compartilhamento do meu texto, o Alex (Guarani-Kaiowá) Antunes disse que "finalmente alguém enxergou a continuidade entre o underground de sp nos anos 80 e o momento político-cultural atual :D". Nem foi tão difícil assim, a esquerda universitária brasileira reverbera - com alguns anos de atraso e um tempero, digamos, antropofágico - o bumbo tocado pela esquerda universitária americana com as suas cotas e feminismos contra o homem branco heterossexual e ocidental, o Judas do PC contemporâneo.
Wednesday, May 15, 2013
Ainda a Virada Cultural
O Alex (Guarani-Kaiowá) Antunes descobriu o meu texto sobre o Napalm e a Virada Cultural e resolveu compartilhá-lo duas vezes na sua página do Facebook. Eu entendo, cada um é o assunto favorito de si mesmo. À minha pergunta "alguma dúvida de que ele (AA) vai privilegiar (na escalação do tal festival com dinheiro público) aqueles de acordo com a sua agenda 'contra o pensamento branco'?", ele respondeu: "nenhuma". Gostei da sinceridade, mostrou que o racismo contra o branco (o "branco" possível num país miscigenado como o Brasil) já está tão disseminado que intelectuais orgânicos como o Alex Antunes nem disfarçam mais as suas intenções. E quais seriam elas? Reparar injustiças históricas (como se elas acontecessem no vácuo, sem um contexto) usando o monopólio das leis e das armas (o governo) pra beneficiar uns (os herdeiros dos oprimidos) às custas dos outros (os herdeiros dos opressores). Ou seja, institucionaliza-se o racismo intergeracional como política pública. "Mas é pra acabar com o preconceito e a discriminação..." Não se acaba com o preconceito e a discriminação a não ser que se acabe também com a liberdade de escolha e pensamento; aliás, nem assim, mais capaz de se aumentar o ressentimento entre as, vá lá, "raças". Será que não passa pelo radar desses justiceiros sociais que - ao se recusar uma igualdade perante a lei que incentivaria o melhor de cada indivíduo único, pessoal e intransferível - está se estimulando um conflito que, aí sim, não vai ter fim? Agora são os "negros" e "índios" a reclamar do passado, no futuro serão os "brancos" a reclamar do presente. Quando isso vai parar e as pessoas vão poder se relacionar como seres humanos responsáveis pelas próprias vidas? Aparentemente nunca, se você acreditar - como esse pessoal acredita - em alguma espécie de determinismo social, racial, sexual ou histórico. No segundo compartilhamento do meu texto, o Alex (Guarani-Kaiowá) Antunes disse que "finalmente alguém enxergou a continuidade entre o underground de sp nos anos 80 e o momento político-cultural atual :D". Nem foi tão difícil assim, a esquerda universitária brasileira reverbera - com alguns anos de atraso e um tempero, digamos, antropofágico - o bumbo tocado pela esquerda universitária americana com as suas cotas e feminismos contra o homem branco heterossexual e ocidental, o Judas do PC contemporâneo.
Wednesday, May 08, 2013
J.F. dos Santos, Luana Piovani, Tyra Banks e Dr. Oz
Já se entende, a essa altura do campeonato, que a guerra cultural travada pela esquerda não se resume à velha luta de classes - burgueses X proletários - e engloba todo e qualquer potencial conflito capaz de gerar um controle maior sobre os grupos considerados opressores e exploradores. Um dos fronts usados nessa campanha é um tipo de feminismo em que a igualdade perante a lei não é o suficiente e enxerga a mulher como um ser oprimido e explorado pelo patriarcado. O homem (heterossexual e, de preferência, branco) é o vilão e a história nessa narrativa parece movida por grupos estanques com comportamentos uniformes ao invés de indivíduos com as suas próprias escolhas e circunstâncias. Uma das formas de expressão desse feminismo é o politicamente correto, um filtro ideológico em que certas verdades inconvenientes são substituídas por platitudes, eufemismos e inversões mais confortáveis pra sensibilidade contemporânea. Dois casos nos últimos dias me chamaram a atenção. 1: um texto do Joaquim Ferreira dos Santos em que ele - responsável pela coluna reduto do politicamente correto carioca - vinha com aquele papo cheio de lirismo de que as mulheres não deviam se preocupar com as suas celulites, que os homens não reparam nisso e tatatá. Esse texto foi fartamente compartilhado - onde já se viu, um homem preferir uma mulher magra a uma gorda, isso é opressão, mulher que se exercita pra ficar com menos celulite está se submetendo ao patriarcado, ao padrão de beleza imposto pelo capital etc e tal. A Luana Piovani - apresentadora do Superbonita que não é exatamente famosa por reprimir os pensamentos - respondeu o seguinte ao texto do JFS: “Sugestão declinada. Teremos sim programa para como se livrar delas. Precisamos de audiência e ninguém vai assistir a um pgm que incentive a inércia no duvidoso. Incentivamos a sua melhor versão. Todos temos!" Legal ler mais alguém do mainstream artístico questionando esse enaltecimento do menor denominador comum do pensamento PC. Ué, existe mesmo um certo padrão de beleza (que é menos imposto e mais natural do que esse feminismo imagina) e quem se interessa e se esforça - seja do grupo que for - pode aproximar-se dele ou mesmo alcançá-lo, por que não?, isso vale pra homens e mulheres. 2: mudando de canal, parei no programa do doutor Oz, um médico que ia sempre no programa da Oprah "You Go, Girl!" Winfrey. O doutor mostrava a história de um casal em que a mulher ganhou 30 quilos logo após o casamento. O marido tava insatisfeito (a esposa também, chegou a chorar) e eu imaginei que o objetivo da reportagem fosse encontrar uma maneira de fazê-la emagrecer. Aí volta pro estúdio com o casal, o doutor Oz e a Tyra Banks conversando e descubro que eu havia me enganado, o objetivo não era o emagrecimento da mulher, o objetivo era fazer com que o homem se envergonhasse de querer que a sua mulher perdesse peso. "Você quer que ela perca peso pro seu próprio prazer ou pra saúde dela?", o Oz perguntou, no que ele respondeu "não, doutor, só estou pensando na saúde dela", e a Banks então ameaçou: "você se dispõe a passar pelo detector de mentiras?".
Tuesday, May 07, 2013
Napalm e a Virada Cultural
Não sei se notaram, mas existe, por trás de toda a discussão cultural brasileira, um embate ideológico - ou sendo menos pejorativo, filosófico - que acaba se sobrepondo às declaradas diferenças subjetivas (ou nem tão subjetivas assim) sobre beleza, estética, técnica, prazer ou diversão. Outro dia mesmo, eu tava assistindo a um documentário sobre o Napalm, casa de shows underground de São Paulo do início dos anos 80, em que isso ficou muito claro. Os punks dominavam o lugar por causa da sua revolta agressiva e sem muito foco - contra o "sistema" - no que eram insuflados pelos estudantes mais politizados da USP que, dava pra perceber pelos depoimentos, tinham claramente uma visão marxista da história. Um desses, Alex Antunes, disse que as bandas cariocas da época não eram bem-vindas por lá porque eram "comerciais" e "faziam o jogo das gravadoras". Essa rejeição ou cooptação baseada em afinidades ideológicas - ou sendo menos pejorativo, filosóficas - vem (pra pegar um gancho do livro novo do Lobão) desde antes da Semana de 22 e é determinante pro sucesso ou fracasso de um artista (pelo menos entre essa intelligentsia). Se o artista foge do cânone aprovado pela academia (no caso brasileiro = estatista, nacionalista, coletivista, anti-americanista e anti-cristianista), ele é rejeitado; se o abraça, é cooptado. Enquanto o esquerdismo cultural ficava somente na academia e longe do poder, essa agenda se restringia às críticas e teses abraçadas pelos jornalistas companheiros, mas essa hegemonia nas universidades (o lugar onde teoricamente se concentrariam as pessoas inteligentes) e o conseqüente domínio do discurso público acabariam por ter força o suficiente no imaginário coletivo pra que os seus representantes políticos (PT) finalmente chegassem completa e inapelavelmente ao poder. Então agora o Alex (Guarani-Kaiowá) Antunes não precisa mais pedir pra entrar de graça em boates alternativas e trabalha pra prefeitura petista de São Paulo decidindo quais artistas merecem receber o dinheiro dos "contribuintes" paulistanos na tal Virada Cultural. Alguma dúvida de que ele vai privilegiar aqueles de acordo com a sua agenda "contra o pensamento branco"? (http://viradacultural.org/alex-antunes-nao-ouvi-e-nao-gostei-nao-e-uma-atitude-rock/)
Friday, May 03, 2013
Lobão e a altinha nas praias do Rio
A última entrevista do Lobão e a sua inconsistente mas inegável guinada liberal (assinou inclusive a filiação ao projeto de partido Libertários) atraiu toda a reação esperada dos governistas do PT e simpatizantes tentando desqualificá-lo. Algumas reclamações eram sobre a forma um tanto dura com que ele tratou alguns medalhões da MPB, esquecendo-se do conteúdo: a crítica aos fartos subsídios estatais que esses artistas famosos recebem. Crítica justa, quem não é beneficiado diretamente é obrigado a arcar com essa *generosidade* do governo brasileiro. Isso não é simplesmente "incentivo à cultura", existe uma simbiose entre quem recebe os subsídios e quem os concede - em português claro: o estado compra (ou aluga) consciências. Ou algum edital se propondo a criticar o governo, seus aliados e suas políticas tem alguma chance de ser - na linguagem dos burocratas - CONTEMPLADO? As pessoas se reunirem com quem elas se identificam é uma coisa, panelinhas bancadas às custas dos outros é outra. Se não se consegue diferenciar uma associação voluntária (mercado) de uma exercida através da imposição (estado), fica difícil a discussão. Então o Lobão foi acusado de diversas coisas, mas uma acusação específica é um verdadeiro clássico da mentalidade submissa ao poder: a de que ele seria "contra o Brasil". Não, ele não me parece ser "contra o Brasil", me parece ser contra o que o Brasil se tornou, porque país e governo não são sinônimos - ou então toda oposição seria anti-patriótica e se esse raciocínio não for tirânico, não sei mais o que é. Eu mesmo acabei de passar umas semanas na Europa e a volta foi meio traumática, porque alguns contrastes ficaram muito claros. As pessoas no Brasil - em geral - são barulhentas e não têm muita noção do espaço alheio. Isso se reflete não só no excesso de intromissão estatal (essa confusão infernal entre público e privado), mas nas coisas mais comezinhas do dia-a-dia. Por exemplo, meio cansados do frio europeu, chegamos e fomos direto à praia. Como a praia é pública, ela é teoricamente de todos, o que corresponde a dizer que ela não é de ninguém ou é de quem se impõe mais joselitisticamente. Nos sentamos perto da beira do mar e do nada surgiram várias rodas de altinha em nossa volta. Dois caras simplesmente se afastaram 20 metros um do outro e brincaram de cruzar a bola sobre alguns - na linguagem do RJTV - BANHISTAS pra testar as suas miras. Mesmo que tivessem a precisão de um canhotinha de ouro circa 1970 (não tinham), a mera possibilidade de receber uma bolada em alta velocidade na cara já era o suficiente pra deixar as pessoas próximas meio tensas e arruinar aquela vibe contemplativa praiana. Seria então anti-patriótico da minha parte sugerir que talvez esse modelo de praia *pública, gratuita e de qualidade* não é lá o melhor possível? Que as leis que regulam a ocupação daquele espaço não são cumpridas e dão margem pra corrupção dos agentes públicos? Que mesmo quem não vai à praia já paga pela sua manutenção com impostos e que uma privatização poderia dar os incentivos necessários pro uso daquele lugar ser mais justo, eficiente e econômico? "Nesse trecho pode ter altinha, naquele outro pode ter cachorro, ali pode-se fumar, aqui não e etc?" Existem várias praias particulares pelo mundo, mas já posso ouvir os protestos de quem imagina essa proposta como uma abominável forma de segregação social, como se os mais pobres precisassem de uma estatal de telefonia pra adquirir celulares ou de uma estatal de comida pra comer. Eu e (imagino que) o Lobão não somos "contra o Brasil", apenas desconfiamos que as coisas podem (e devem) melhorar e que a concentração de poder no governo não é o modo mais indicado de alcançar isso.
Thursday, May 02, 2013
O "grande salto pra frente" do PT
Semanas atrás, rolou uma série de mensagens do Olavo de Carvalho no Facebook metendo o pau nos libertários, e apesar de não recordar exatamente o que ia nos textos, lembro de ter dado boas risadas. O que ficou na minha cabeça não foram nem as críticas do Olavo aos libertários (deve ter sido algo na linha "vocês são uns iludidos que abraçam toda a agenda cultural esquerdista"), mas o desprezo sarcástico com que certos libertários trataram alguns dos seus alertas que considero pertinentes. Por exemplo, as denúncias sobre o Foro de São Paulo. Não é claramente óbvio e obviamente claro que os países membros do Foro realmente se apóiam mutuamente no matter what? Que qualquer coisa que aconteça na região e não vá contra o tal socialismo do século XXI conta com o suporte amigo e mesmo financeiro do governo brasileiro? Ué, existe um esforço concentrado e combinado entre as esquerdas latino-americanas e isso não é paranóia ou teoria da conspiração, é só ligar lé com cré. Como o "mundo melhor" dos socialistas do PT e simpatizantes não se materializa por aqui de um dia pro outro com a tomada do Palácio de Inverno pelos bolches numa revolução abrupta e violenta, mas gradualmente e através do processo democrático (50% + 1 virou critério de justiça), poucos se dão conta do que está acontecendo. Pra quem ainda não entendeu, a última peça de propaganda petista tirou a dúvida: o "progresso" (aspas hiperativas e imperativas) do Brasil num grande salto pra frente (alô, Mao) com uma bandeira vermelha sinalizando o futuro da nação (http://youtu.be/qcE_u1oXy0s).
Monday, April 29, 2013
Portugal "contra o empobrecimento"
Um dos prazeres que tenho ao viajar é assistir aos programas locais de televisão - e quanto mais RJTV ele for, melhor. Em Portugal, não pude deixar de notar que dois assuntos dominavam completamente o noticiário: futebol e as peripécias do governo. Falavam tanto do governo que as reportagens das RTPs e SICs me fizeram acreditar que o cidadão português é ainda mais estatizado que o brasileiro, se é que isso é possível (claro que é). O tema principal era o plano de *austeridade* do atual governo social-democrata que previa alguns cortes de gastos pro país continuar com algum crédito na praça européia. O impressionante é que, entre as várias pessoas ouvidas pelos telejornais, nenhuma ponderava que "realmente, tem alguma coisa errada quando o governo sistematicamente gasta mais do que arrecada e um corte em certas áreas pode ser uma política razoável." Não, todos eram contra, não pode, de jeito nenhum, onde já se viu, e as autoridades mais entrevistadas (e aparentemente respeitadas) eram os políticos do Partido Socialista e do Partido Comunista Português (!!!). Nem um neoliberalzinho malvado, insensível e de meia tigela pra dar o ar da graça, ô pá! Na praça principal de Lisboa, um cartaz anunciava a "marcha contra o empobrecimento" convocada pelas CUTs locais e com ampla divulgação da imprensa - como ser a favor do empobrecimento? Por que nunca convocam uma "marcha pela compreensão das causas do empobrecimento"? É longa a marcha até um entendimento mais universal das coisas, apelos emocionais em prol de grupos de interesse específicos parecem surtir mais efeito. O "empobrecimento" de que os sindicatos estatais portugueses falavam tinha relação com um eventual corte nos gastos públicos, eles estavam - na realidade - falando do "empobrecimento" deles mesmos, mas isso não era explicado no cartaz. Pra reforçar a confusão, uma manchete de jornal no caminho pra Sintra me chamou a atenção: "Funcionários públicos vão pagar mais impostos". Qual a manipulação em questão? Funcionários públicos - e aí se incluem os políticos - não são pagadores de impostos, são recebedores de impostos (questão de fato, não de opinião) e o mais correto e honesto seria estampar: "Funcionários públicos vão receber menos impostos".
Thursday, March 28, 2013
Feliciano
Então foi decidido nas últimas semanas que o grande assunto é uma comissão de direitos humanos e minorias que nem deveria existir e o evangélico aliado do PT eleito pra presidi-la. De um lado, os religiosos que seguem a bíblia e consideram pecado o homossexualismo. De outro, as almas sensíveis que não conseguem viver com a idéia de que nem todo mundo aprova o estilo de vida de todo mundo. Impasse - e como normalmente acontece nessas situações, o monopólio armado da sociedade é convocado ou se convoca pra beneficiar um lado às custas de todos os outros. Não basta a agressão contra quem quer que seja ser ilegal, são necessárias leis especiais e específicas especialmente e especificamente feitas pra certos grupos especiais e específicos. Essa noção não veio do nada, o debate no Brasil segue com anos de atraso o que vem sendo discutido nos centros de insensatez ilustrada e institucionalizada - conhecidos como universidades - lá de fora (principalmente do grande satã, os EUA). Veio daí o politicamente correto, que busca fazer as demandas dos grupos considerados historicamente "oprimidos" prevalentes sobre os grupos considerados "opressores" - basicamente todos contra o homem branco heterossexual capitalista e, em geral, cristão. É uma tática de conquista e concentração de poder tão antiga quanto andar pra frente - dividir pra conquistar - e vem funcionando que é uma beleza (pelo menos pra quem instiga e se beneficia dessas divisões). O tal pastor é claramente um crente tosco feito sob medida pra indignação coletiva e seletiva da esquerda PC-PSOL, mas repare também nas opiniões dessas mesmas pessoas que fazem esse escarcéu todo. Se o pastor acredita em "povo amaldiçoado", seus perseguidores acreditam em "socialismo e liberdade", como proceder? Me parecem duas faces da mesma moeda de um irracionalismo militante, triunfos da sensibilidade subjetiva sobre a realidade objetiva, da vontade sobre a verdade.
Tuesday, March 26, 2013
Marighella e a "nova" utopia
Parei de ler jornal. Quer dizer, estou parando, não se pára simplesmente de ler jornal, todo dia é um desafio ("não dê a primeira olhada"), ainda mais quando o jornal fica aparecendo na sua porta mesmo quando você não o assina mais. Num desses momentos de fraqueza, me deparei com uma coluna do Caetano Veloso em que o grande ídolo da MPB escrevia que o Marighella representava a "sede de justiça", entre outras coisas laudatórias e maravilhosas. Senti quase uma ressaca pela equiparação *comunismo = justiça* Thursday, March 21, 2013
Igreja e a fruição do desejo
O pessoal da esquerda consciente ou inconsciente fica revoltado com a igreja porque ela reprime, é retrógrada e não deixa correr solta a fruição do desejo da galera. "Por que existe a culpa?" Porque as pessoas - querendo ou não - têm uma consciência ou inconsciência que está a todo momento pesando os prós e os contras das suas atitudes e decisões. Sente culpa porque pode ter prejudicado alguém e isso pode se voltar contra você. Se você age mal com alguém e sabe que agiu mal, aquilo fica martelando a sua cabeça porque a lógica e o seu instinto de sobrevivência sabem que não é bom sair por aí prejudicando as pessoas, que esse comportamento pode ter volta, que amanhã o prejudicado pode ser você. Então a religião existe há milhares de anos e parece não arredar pé, geral continua dizendo que acredita em Deus e tal. Por que uma instituição que fica tolhendo os prazeres - me dizendo que eu não posso fornicar ou usar drogas e que se eu fizer essas coisas e não me arrepender eu vou direto pro I N F E R N O - tem tanta força? Sem entrar na questão das leis - todo mundo devia ter o direito de fazer o que quiser desde que não inicie agressão contra os demais - o cuidado com o sexo e as drogas faz sentido do ponto de vista evolutivo. A esquerda consciente ou inconsciente comemora a legalização do aborto porque isso estimula a fruição do desejo da galera sem a conseqüência de um filho indesejado, tão indesejado que a pessoa está disposta a eliminá-lo. A igreja vai lá e diz: "não, aborto é errado, aquela vida ali já começou e é sagrada." A pessoa que transou sem pensar nas possíveis conseqüências vai gostar disso? Não, não vai. Os melancias doidos pra controlar a população da "praga humana" que explora a mais-valia ambiental vão gostar disso? Não, não vão. Toda a contracultura cultural boêmia artística movida a drogas também fica contrariada - eu incluído - mas quem pode negar o potencial problema do uso de drogas? Não é à toa que tantos ex-drogados viram religiosos, o troço é perigoso e não precisa ir na cracolândia da sua cidade pra perceber isso. Então o que um ateu como eu está tentando dizer é que a religião tem alguns mandamentos morais cruciais que não funcionam se o objetivo é a fruição sem conseqüência do desejo da galera, mas que funcionam se o objetivo é a sobrevivência da espécie. "Não saia por aí transando de qualquer maneira porque você pode ter um filho indesejado E tenha cuidado com as substâncias entorpecentes porque você pode se tornar um zumbi" são recomendações que fazem sentido pra preservação da vida tenham vindo do divino ou da examinação racional da realidade.
Tuesday, October 09, 2012
Globo e a "cidadania"
Quem, como eu, gosta de eventualmente acompanhar o cotidiano diário do dia-a-dia através do RJ TV, já percebeu que a palavra "cidadania" é uma das preferidas da Globo, não só nos noticiários como nos intervalos ("cidadania, a gente vê por aqui"). Mas o que seria a "cidadania"? Cidadania (do latim, civitas, "cidade") é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive. Como vivemos numa democracia, cidadão é aquele que se submete (ou melhor, é submetido) ao que é decidido pela maioria. Claro que isso dá margem a muita injustiça, até porque a maioria não é critério de justiça, mas o meu ponto principal nem é esse. O meu ponto é que grandes empresas como a Rede Globo fazem propaganda da obediência aos ditames governamentais porque elas mesmas não têm como escapar dessa imposição. Quanto mais visível a empresa, mais facilmente ela é fiscalizada pelo governo, mais ela é forçada a cumprir com os seus *deveres* (obrigação de passar tantos por cento de conteúdo nacional, por exemplo) e mais ela é incentivada a correr atrás dos seus *direitos* (crédito subsidiado do BNDES, por exemplo). Qual o resultado disso? Governo e grandes empresas em simbiose, unidos na promoção do "contrato social", da "cidadania", da submissão à democracia.
Thursday, September 13, 2012
Szasz e as drogas
Desde cedo, tive a impressão de que a guerra contra as drogas era uma insensatez, uma afronta à noção de que a pessoa é livre - desde que respeite as demais - pra fazer o que quiser com a própria vida. Acompanhava as guerras nos morros pelo controle do tráfico, a corrupção escancarada da polícia e as prisões lotadas, mas não via muita gente questionando a lei que dava margem a toda essa maluquice trágica ao criminalizar o consumo e a comercialização de certas substâncias. Tem algo de muito errado aí, e foi assim que comecei a me aprofundar na filosofia da liberdade, pra entender as bases que fazem uma sociedade realmente livre. Nesta semana, morreu um dos grandes defensores da autonomia individual frente à tutela governamental, o psiquiatra húngaro Thomas Szasz, este texto é inspirado numa palestra dele. (http://youtu.be/1LoSgdpHnUk) Ninguém é culpado até que se prove o contrário. Não se pode punir alguém sem que essa pessoa tenha - de fato - agredido alguém. Pessoas pacíficas que se envolvem apenas em relações voluntárias têm de ser deixadas em paz. A questão não é sobre o abuso de drogas, é sobre a responsabilidade individual. Quanto maior o controle de fora sobre uma pessoa, menor o controle que ela vai ter sobre si mesma. A aliança entre a classe médica e o governo. Nem todas as drogas são criminalizadas, algumas são *permitidas* desde que prescritas por médicos aprovados pelo governo. Então, de alguma maneira, não são apenas a maconha, a heroína e a cocaína que são ilegais, todas as drogas são ilegais. Se você precisa de permissão governamental pra tomar uma substância, essa substância não é livre. Essas exigências dão aos médicos que passam pelas triagens do governo o monopólio de decidir se a pessoa *precisa* ou não de uma droga, imposição que infantiliza o indivíduo, tratando-o como incapaz. Eu não posso decidir usar drogas por motivos religiosos, espirituais, estéticos, recreativos, psicológicos, experimentais, paranormais ou o que seja, outros decidem por mim. Se o governo tem alguma função (tenho dúvidas), é a de proteger as pessoas de perigos externos, ele não tem o direito de me proteger de mim mesmo. Existe um exército se outros países quiserem invadir e uma polícia se outras pessoas quiserem roubar ou matar. Se eu quiser me invadir ou evadir, isso não é da conta do governo.
Tuesday, September 11, 2012
"Mania de ser diferente"
Tuesday, September 04, 2012
O mensalão
"Mensalão significa o ato de corrupção em que uma grande soma em dinheiro é transferida periodicamente e de forma ilícita para favorecer determinados interesses." Usando essa definição e o princípio de não-agressão, me parece claro que a atual configuração do estado democrático não passa de um grande mensalão. Os eleitores trocam votos e doações de campanha por algum benefício futuro, os deputados trocam votos no Congresso por alguma vantagem, os partidos barganham apoio ao governo em troca do controle de algum ministério ou estatal e por aí vai, a política acaba se tornando um imenso toma-lá-dá-cá. Isso não seria um problema se os agentes públicos usassem as próprias propriedades nessas trocas, mas esse não é - obviamente - o caso. O dinheiro público - por ser arrecadado de maneira não voluntária - já constitui, por si só, desvio de verba. O benefício que um eleitor (um indivíduo sem posses ou um grande empreiteiro) espera receber em troca do seu voto ou doação de campanha pro candidato X não vai sair do bolso de X, vai sair do bolso de quem não está recebendo esse benefício. A aprovação no Congresso de uma lei do interesse do Executivo não vai ser bancada pela bancada governista, vai ser paga pelo resto da população. A própria existência de dezenas de ministérios e centenas de estatais - que servem de barganha pra esse *presidencialismo de coalizão* - é um custo que aqueles que não participam diretamente do esquema são obrigados a arcar. Qual é a grande diferença então dessas relações *democráticas* pra definição de mensalão que iniciou o texto? Claro que isso não absolve o PT, um partido já há 10 anos no poder que não moveu uma palha pra mudar esse sistema. Pelo contrário, foi eleito justamente pra manter e - se possível - ampliar esses interesses estabelecidos e exercidos às custas de todos os que não se locupletam nessa corrupção oficializada e generalizada. (http://www.significados.com.br/mensalao/)
Thursday, August 23, 2012
Freixo e as ideologias
As eleições se aproximam e chega o momento em que se ouve a pergunta: "Em quem você vai votar?" Em ninguém, não quero mais dar sanção a esse sistema político. "Mas e o Freixo?" Sou contra qualquer candidato socialista. "Mas ninguém liga mais pra ideologia, já ouviu as propostas dele?" Nem precisa, o cara ainda considera o socialismo uma boa idéia, já é o suficiente. "Mas o capitalismo também é uma porcaria..." Me diga então uma coisa, onde você preferiria viver, na antiga Alemanha Ocidental ou na Oriental? Na Coréia do Sul ou do Norte? "Não se trata disso..." Se trata sim, a Coréia do Norte e a Alemanha Oriental são a conseqüência do socialismo que você - em maior ou menor grau - defende. "Ninguém liga mais pra ideologia..." Dizer que "ninguém liga mais pra ideologia" é o mesmo que dizer que ninguém liga mais pra idéias, e as "propostas do Freixo" são justamente as suas idéias. Quem se imagina *pragmático* e acima das ideologias talvez nem perceba, mas o Pragmatismo também é uma ideologia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pragmatismo). A coisa vai além disso, claro. Quando você testemunha o horário eleitoral nada gratuito e vê praticamente todos os candidatos prometendo as mesmas coisas, você percebe que existe uma certa homogeneidade ideológica, uma doutrina implícita que alguns podem confundir com o bom senso. A social-democracia dominante (essa mistura de socialismo fabiano, marxismo e nacionalismo) não é uma inevitabilidade da natureza como o movimento das marés, é uma construção ideológica com propagandistas (bem pagos ou não) que cuidam pra que certos interesses estabelecidos não sejam ameaçados por uma ideologia contrária. Por isso que qualquer idéia fora do espectro social-democrata (o liberalismo, por exemplo) é imediatamente desqualificada por esses ideólogos do status quo como coisa de gente ingênua, maluca, paranóica, babaca ou FDP mesmo. Não, o governo não tem a obrigação cósmico-divina de existir e muito menos de controlar a saúde, educação, segurança, transporte, lazer, alimentação, cultura, comércio, emprego, crédito, telecomunicação, meio ambiente, petróleo, minério de ferro, carnaval, entrega de cartas e o escambau, isso é o que as pessoas no poder (e as que querem chegar no poder como o Freixo) querem que você defenda, e não é tão difícil assim de entender o motivo. Wednesday, August 15, 2012
O "mundo real"
Sempre que se tenta discutir princípios que questionem o status quo, aparece alguém dizendo que "isso não funciona no mundo real". Algumas mudanças realmente não têm chance de acontecer, coisas imutáveis que fazem parte da estrutura da realidade, leis naturais que não se curvam à vontade humana. Por mais que eu tente, balançar os braços não vai me fazer voar. Por mais avançada que a medicina se torne, continuaremos morrendo. O modo como as pessoas se relacionam, no entanto, pode ser mudado, assim como o modo como o poder é exercido. Construções humanas são possíveis de mudar justamente por serem construções humanas, mas se um deputado chegar e propor - por emenda constitucional - a abolição do pôr do sol, esse parlamentar vai estar realmente ignorando o mundo real. Agora, se ele propor a descriminalização das drogas, por exemplo, ele não vai estar ignorando o mundo real, mas simplesmente indo contra a opinião de algumas pessoas, não há nada impossível nessa proposta. Pra usar um caso clássico, um abolicionista em 1700 também seria acusado de "ignorar o mundo real" ao defender algo tão distante dos costumes da época, mas o tempo passou, as percepções se alteraram e finalmente se tornou uma abominação alguém pertencer a alguém. Quer dizer, nem tanto, porque hoje em dia essa escravidão tomou outra forma e as pessoas continuam - de uma maneira certamente mais suave - sendo propriedades umas das outras, a diferença é que agora elas são obrigadas a servir ao que quer que seja determinado pela maioria através do estado e seus representantes, os políticos. Tem que ser assim? Não necessariamente, não existe nenhum contrato social assinado em pedra, esse é apenas o modo como a sociedade é atualmente organizada (ou desorganizada) e isso pode mudar, basta as pessoas - ou uma boa parte delas - chegarem a essa conclusão.
Tuesday, July 31, 2012
A "classe artística"
A "classe artística" não existe, assim como não existe a "comunidade científica" ou a generalização coletivista que for. Quando se diz que a "classe artística" se mobilizou pra isso ou aquilo, está na verdade se dizendo que uma quantidade X de pessoas identificadas com atividades artísticas se mobilizou pra isso ou aquilo. Quando se diz que o projeto de lei Y "beneficiou a classe artística", se assume que todos os artistas imaginam estar se beneficiando disso, quando nem todos concordam - por exemplo e por princípio - com a Lei Rouanet ou com os subsídios estatais que tiram à força do alfabeto inteiro pra dar pro artista A ou B. Se não há uma única opinião uniforme entre os que professam uma mesma ideologia, como haveria uma entre os chamados "artistas"? Isso é, claro, reflexo do corporativismo que divide as pessoas em classes, gêneros e raças com a chancela do governo pra que esse mesmo governo depois privilegie - dependendo do contexto político de disputa de poder - uma determinada categoria às custas das demais. O resultado disso? Uma epidemia de chororô institucionalizado, um mimimi interminável de gente ajoelhada diante do poder, a estatização da cultura da "farinha é pouca, meu pirão primeiro" de pessoas que deveriam estar contestando o status quo ao invés de bajulá-lo.
Thursday, April 12, 2012
Discriminação e preconceito
Tuesday, March 13, 2012
O renascer do Estado-Nação
"A crise financeira mundial abalou este mito." Vem aí o caô-mór dos estatistas: "Quem socorreu os bancos, injetou liquidez, promoveu incentivos fiscais e estabeleceu as redes de segurança para os desempregados, para impedir uma catástrofe crescente?" Quem manipulou as taxas de juros, inflacionou a moeda, promoveu o risco moral com o *crédito fácil* e estabeleceu as redes de segurança para os bancos amigos não falirem? "Quem está reescrevendo as regras de fiscalização e a regulamentação do mercado financeiro para evitar outro incidente?" Quem escreveu as regras de fiscalização e regulamentação que causaram esse incidente? "Quem recebe a maior parte da culpa por tudo o que corre mal?" Quem tem as leis e as armas na mão tem mais é que receber a culpa mesmo. "A resposta é sempre a mesma: os governos nacionais." É só ligar lé com cré, amigo. "O G-20, o Fundo Monetário Internacional e o Comitê de Basileia de Supervisão Bancária têm sido, em grande parte, elementos marginais." É bom lembrar que essas organizações também são braços governamentais.
"Mesmo na Europa, onde as instituições regionais são relativamente fortes, o interesse nacional e os políticos nacionais, em grande parte, na pessoa da chanceler alemã, Angela Merkel, têm dominado a definição de políticas." A Alemanha domina o debate no euro porque é o país mais forte economicamente naquela zona. "Se a chanceler Merkel se tivesse mostrado menos apaixonada pela austeridade para os países endividados da Europa e se tivesse conseguido convencer os seus eleitores da necessidade de uma abordagem diferente, a crise da zona do euro teria tido contornos bastante diferentes." Ninguém é *apaixonado* pela austeridade, gastar menos do que se arrecada é uma regra básica pra quem não quer ir à falência e - nesse caso específico - levar junto todo um continente.
"No entanto, mesmo com a sobrevivência do Estado-nação, a sua reputação está a ruir." Com bons motivos. "O assalto intelectual ao Estado-nação assume duas formas." Diga lá. "Na primeira, há a crítica de economistas que consideram que os governos são um impedimento à livre circulação de mercadorias, capitais e pessoas por todo o mundo." Isso é um fato. "Impeça-se a intervenção dos responsáveis políticos nacionais com os seus regulamentos e barreiras, dizem eles, e os mercados globais cuidarão de si próprios no processo de criação de uma economia mundial mais integrada e eficiente." O processo político baseia-se na imposição, no uso da força, o processo de mercado baseia-se em trocas voluntárias - um divide e o outro agrega.
"Mas quem vai ditar as regras e a regulamentação do mercado, se não os Estados-nação?" A regulamentação podia se dar através de contratos assinados de livre acordo. "O laissez-faire é receita para mais crises financeiras e para um maior retrocesso político." Mera afirmação de um justificador profissional do estado sem nenhuma evidência pra sustentá-la. "Além disso, seria necessário confiar a política económica a tecnocratas internacionais, isolados como estão dos incentivos e desincentivos da política – uma posição que circunscreve seriamente a democracia e responsabilidade política." Os tais *tecnocratas internacionais* são também tentáculos dos governos, tente outra. E os incentivos na democracia as we know it são os de comer o bolo agora e deixar a indigestão (dívida) pras gerações futuras.
"Em suma, o laissez-faire e a tecnocracia internacional não fornecem uma alternativa plausível ao Estado-nação." Em suma, o bonecão de palha do Dani está armado pra tentar desqualificar a liberdade econômica (sem a qual as outras não são possíveis). "Na verdade, a erosão do Estado-nação, em última análise, é pouco benéfica para os mercados globais enquanto não existirem mecanismos viáveis de governança global." Na verdade, os malabarismos retóricos do autor servem pra erodir as liberdades individuais, mas quem lê o site do Emir Sader não liga muito pra isso, quer mais é ver um estado forte com o PT no poder.
"Na segunda forma existem especialistas em ética cosmopolita que condenam a artificialidade das fronteiras nacionais." Aquelas linhas nos mapas são mesmo artificiais e impostas sob a mira de uma arma, alguma dúvida? "Como afirmou o filósofo Peter Singer, a revolução das comunicações gerou uma "audiência global" que cria a base para uma "ética global". Se nos identificamos com a nação, a nossa moral permanecerá nacional." *Moral nacional*? Que tosco, o que é errado aqui continua errado no Butão. "Mas, se cada vez mais nos associarmos ao mundo em geral, as nossas lealdades irão igualmente expandir-se." De quais *lealdades* você está falando? "Da mesma forma, o Nobel da Economia, Amartya Sen, fala das nossas "múltiplas identidades" – étnicas, religiosas, nacionais, locais, profissionais e políticas, muitas das quais atravessam fronteiras nacionais." Isso tudo vai desembocar no indivíduo, com suas particularidades e circunstâncias.
"Não está claro que uma parte disto tenha por base um optimismo exacerbado e que outra parte seja baseada em mudanças reais de identidades e ligações." Prossiga. "As pesquisas mostram evidências de que a ligação ao Estado-nação continua a ser bastante forte." O que é uma pena, o nacionalismo é o último refúgio dos... deixa quieto.
"Há alguns anos, a associação World Values Survey inquiriu os entrevistados em dezenas de países sobre a sua ligação às comunidades locais, às nações e ao mundo em geral." Continue. "Não é de admirar que aqueles que se viam a si mesmos como cidadãos nacionais ultrapassavam em muito aqueles que se consideravam cidadãos do mundo." Pra você ver como a gente ainda tá atrasado. "Mas, surpreendentemente, a identidade nacional ensombrava até a identidade local nos Estados Unidos, Europa, Índia, China e na maioria das outras regiões." Então um nova iorquino, em geral, se identifica mais com os EUA do que com a sua própria cidade? Estranho.
"As mesmas pesquisas indicam que as pessoas mais jovens, as que têm qualificações mais elevadas, as que se identificam a si mesmas como classe superior, têm mais tendência a associar-se com o mundo." Pessoas mais informadas não se deixam controlar com tanta facilidade. "No entanto, é difícil identificar qualquer segmento demográfico cuja ligação à comunidade global supere a ligação ao país." Pessoas mais informadas são raras. "Por muito grande que tenha sido o decréscimo nos custos das comunicações e transportes, não apagou a geografia." Uma coisa é a geografia física, outra - bem diferente - são as linhas imaginárias traçadas (muitas vezes através de guerras) pelos governos do mundo. "A actividade económica, social e política continua a agrupar-se com base em preferências, necessidades e trajectórias históricas que variam em redor do globo." Ok.
"A distância geográfica é um determinante de intercâmbio econômico tão forte como era há 50 anos." Negativo, os custos de se viajar e transportar mercadorias baixaram muito desde então. "Afinal, nem mesmo a Internet é tão desprovida de fronteiras quanto parece: um estudo descobriu que os americanos têm muito mais tendência a visitar sites de países que estão fisicamente próximos do que de países que estão longe, mesmo após as medidas de controlo de linguagem, rendimentos e muitos outros factores." Quer dizer então que os brasileiros, por exemplo, têm uma tendência maior a visitar sites paraguaios que sites americanos? O Paraguai tá aqui do lado, pô.
"O problema é que ainda estamos sob o domínio do mito do declínio do Estado-nação." Antes estivesse realmente em declínio. "Os líderes políticos alegam impotência, os intelectuais sonham com esquemas implausíveis de governança global e os perdedores culpam cada vez mais os imigrantes ou as importações." Imigrantes e importações, by the way, que só existem por causa do tal *estado-nação*. Sem fronteiras, a imigração seria apenas o livre deslocamento de pessoas e a importação apenas o livre comércio de bens e serviços. "Quando se fala sobre a reabilitação do Estado-nação, as pessoas respeitáveis correm a esconder-se, como se estivéssemos a propor reavivar a peste." Quem gosta de falar em *reabilitação do estado-nação* são os nacionalistas e socialistas que freqüentam o site do Emir Sader, têm mais é que se envergonhar mesmo.
"Para ser mais preciso, a geografia de ligações e identidades não é fixa, na verdade, tem mudado ao longo da história." E vai mudar ainda mais. "Isso significa que não devemos descartar totalmente a possibilidade de que uma verdadeira consciência global se venha a desenvolver no futuro, em conjunto com comunidades políticas transnacionais." Menos mal que o autor reconhece que o *estado-nação* é um resquício primitivo do tribalismo. Quer dizer, ele não reconhece, são apenas os meus 2 centavos sobre o tema.
"Mas os desafios atuais não podem encontrar respostas em instituições que (ainda) não existem." A livre associação entre os indivíduos já existe, ela só é dificultada de diversas maneiras pelos *estados-nações*. "Por enquanto as pessoas ainda têm de procurar soluções nos seus governos nacionais, que permanecem a melhor esperança para a acção colectiva." O governo não é a solução, o governo é o problema. "O Estado-nação pode ser uma relíquia que nos foi legada pela Revolução Francesa, mas é tudo o que temos." Eis uma relíquia macabra que um dia não vai fazer falta nenhuma. (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19741&fb_source=message)
Tuesday, February 14, 2012
+ pós-modernismo
O pós-modernismo não é bem uma doutrina clara e objetiva, é mais um *sentimento* que toma partido (e pede sempre a intervenção do governo) entre o que entende por oprimidos e opressores, fracos e fortes, dominados e dominadores. Se o marxismo identificava a história como um desenvolvimento da "luta de classes", o projeto pós-moderno dá um passo além e enxerga conflito não só entre classes sociais, mas entre religiões, raças, sexos, países, gases carbônicos e tudo o mais que puder render um antagonismo. Quer dizer, nem tudo, nunca se viu um pós-moderno denunciando, por exemplo, o conflito entre pagadores e consumidores de impostos, a indignação é - como não poderia deixar de ser - seletiva. Algumas descrições do livro do Stephen Hicks: "On the one hand, all truth is relative; on the other hand, postmodernism tells it like it really is." É aquela vibe que domina o debate político brasileiro: não existe certo ou errado - "não seja maniqueísta!" - mas o capitalismo é certamente errado, sem dúvida alguma. "On the one hand, all cultures are equally deserving of respect; on the other, Western culture is uniquely destructive and bad." Uma cultura que não aceita a ablação do clitóris de uma criança é certamente superior a uma que a promove - ou não é? "Values are subjective—but sexism and racism are really evil." Pois é, como sustentar denúncias contra o racismo e o sexismo se os valores morais são subjetivos? "Technology is bad and destructive—and it is unfair that some people have more technology than others." Certo igualitarismo preferiria que ninguém tivesse acesso a uma determinada tecnologia a ver alguns desfrutando dela e *oprimindo* os outros. A TV, por exemplo, não surgiu magicamente e simultaneamente nos lares do mundo, ela foi consumida antes por uns poucos e só depois se popularizou. "Tolerance is good and dominance is bad—but when postmodernists come to power, political correctness follows." Como eu disse, o pós-modernismo (ou o marxismo cultural ou o "politicamente correto") não é uma filosofia ou uma ciência, é um projeto de poder e os seus conceitos contraditórios servem a esse propósito. "Postmodernists say that the West is deeply racist, but they know very well that the West ended slavery for the first time ever, and that it is only in places where Western ideas have made inroads that racist ideas are on the defensive." A esquerda pós-moderna vê conflitos potenciais em qualquer relação, por isso é contra o livre mercado e deseja impor um igualitarismo de cima pra baixo. Só que pra se impor algo, quem impõe deve ter mais poder do que quem recebe a imposição, acabando então com o sonho igualitário. "They say that the West is deeply sexist, but they know very well that Western women were the first to get the vote, contractual rights, and the opportunities that most women in the world are still without." Não gostam do Ocidente (ou dizem não gostar), mas ignoram (ou fingem ignorar) que todos os movimentos de contracultura, inclusive o feminismo, tiveram origem nessa cultura ocidental. Os países islâmicos ainda nem separaram o estado da religião, mas não se ouve os brados retumbantes pós-modernos contra os muçulmanos que até hoje apedrejam mulheres por adultério."They say that Western capitalist countries are cruel to their poorer members, subjugating them and getting rich off them, but they know very well that the poor in the West are far richer than the poor anywhere else, both in terms of material assets and the opportunities to improve their condition." Uma lésbica, pobre e negra americana é rica em comparação a um líder tribal africano e isso tem uma explicação distante da narrativa pós-moderna do capitalismo-ocidental-opressor-e-malvadão.
Monday, February 13, 2012
Jean-Jacques Rousseau
"Being richer, more honored and powerful are privileges enjoyed by some at the expense of others." Rousseau era um pré-marxista que também imaginava a riqueza como um jogo de soma zero - se alguém tem, é porque outro não tem. Se alguém tem, é porque roubou - "explorou". "The sciences, letters, and arts, far from freeing and elevating mankind, spread garlands of flowers over the iron chains with which men are burdened, stifle in them the sense of that original liberty for which they seem to have been born." O "bom selvagem" corrompido pela civilização é a versão rousseauniana da maçã cristã do pecado. Tudo ia bem quando nada se sabia, foi o conhecimento que corrompeu os "bons selvagens". "One may very well argue with me about this, but I sense it, and this sentiment that speaks to me is stronger than the reason combating it." Não se faz ciência ou filosofia colocando-se os sentimentos como as premissas auto-evidentes do julgamento. O homem *sentia* que a Terra era o centro do universo, o homem *sentia* que a Terra era plana. "I believe therefore that the world is governed by a powerful and wise will. I see it or, rather, I sense it." O irracionalismo militante pode ser ateu ou não, mas certamente é carregado de misticismo. "The more I think about it, the more I am confused." Se está tão confuso, não seria melhor colocar a viola no saco e organizar os pensamentos antes de sair por aí distribuindo juízos de valor? "While the state can compel no one to believe, it can banish not for impiety, but as an antisocial being, incapable of truly loving the laws and justice, and of sacrificing, if needed, his life to his duty." Se as leis são realmente justas, não há "sacrifício" em obedecê-las. Se são injustas, desobedecê-las se torna um dever. "The requirements of the 'general will' absolutely override all other considerations, so a citizen should render to the state all the services he can as soon as the sovereign demands them." A "vontade geral" anunciando a ditadura da maioria - o indivíduo é nada, o coletivo é tudo. "The private will act constantly against the 'general will', so to counteract these socially destructive individualistic tendencies, the state is justified in using compulsion." Quando você avistar um bom samaritano com o dinheiro alheio gritando cheio de indignação seletiva contra o individualismo, saiba estar diante de um herdeiro de Rousseau. "Whoever refuses to obey the general will will be forced to do so by the entire body; this means merely that he will be forced to be free." Se há coerção, não há liberdade. A natureza não exerce coerção, humanos exercem coerção sobre outros humanos. "The state ought to have a universal compulsory force to move and arrange each part in the manner best suited to the whole." Ou seja, indivíduos são apenas meios pra satisfação dos fins coletivos. Agora, como definir o que quer o coletivo? Votação? 50% + 1? "And if the leaders of the state say to the citizen - 'it is expedient for the state that you should die' - he should die." É, o "contrato social" tem dessas coisas, se a galera no poder decidir, por exemplo, que você tem que se sacrificar numa guerra pelas glórias da pátria, da revolução ou do que quer que seja, não há o que fazer, your ass - Rousseau preaches - belongs to the "general will".
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