Thursday, March 18, 2010
O princípio da subsidiariedade
Wednesday, March 17, 2010
O processo de mercado
"Mises denominou de praxeologia o estudo da ação humana, sob o ponto de vista de suas implicações formais. E, como ação, no sentido que lhe dá a Escola Austríaca, significa qualquer ato deliberado (que tanto pode ser fazer, como deixar de fazer alguma coisa), com o intuito de se passar de um estado menos satisfatório para outro mais satisfatório, segue-se que todos os atos econômicos, como por exemplo, os de trocar, comprar, vender, produzir, poupar, investir, consumir, emprestar, tomar emprestado, exportar, importar, etc., estão contidos no conceito seminal de ação humana. Esta é a proposição básica, o primeiro axioma da praxeologia: o incentivo para qualquer ação é a insatisfação, uma vez que ninguém age, no sentido misesiano, a não ser que, estando insatisfeito, o faça pensando em melhorar de estado, ou seja, em aumentar seu conforto ou satisfação, diminuindo, portanto, seu desconforto ou insatisfação. Notemos que este axioma é universal: onde quer que existam seres humanos, haverá ação humana, o que faz com que a ciência econômica construída com base na praxeologia também seja universal. Não há, portanto, uma teoria econômica específica para cada país ou região; o que existe é uma teoria econômica epistemologicamente correta, que é a que se constrói a partir do estudo da ação humana. Por exemplo, as conhecidas leis da demanda e da oferta são universais, uma vez que todos os homens - sejam índios, economistas, banqueiros, aposentados, universitários, analfabetos, etc. - gostam de "comprar barato" e "vender caro", já que isso aumenta, logicamente, sua satisfação. Ao agir, portanto, o homem busca satisfazer a algum desejo e, para isso, deve recorrer aos meios de que dispõe. O fato a ser ressaltado é que a própria ação implica que esses meios são escassos, isto é, são sempre insuficientes para que todas as necessidades humanas, que são ilimitadas, sejam atendidas. De fato, se os meios não fossem escassos, todas as necessidades seriam atendidas, os homens estariam sempre inteiramente satisfeitos e, portanto, não haveria incentivos à sua ação. Toda ação humana busca sempre, então, aumentar a utilidade ou satisfação: quem compra ações, por exemplo, objetiva ganhar dinheiro e, assim, aumentar sua utilidade, assim como quem, por caridade, doa sua fortuna aos pobres, tem em vista aumentar o bem-estar (utilidade) do próximo, pois isso, em sua avaliação, também aumentará sua própria satisfação." Ubiratan Jorge Iorio (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=636).
Tuesday, March 16, 2010
Fluxo sob o Santo Daime 3
Você aí, garoto urbanóide criado a leite com pêra, vem provar o leite da mãe natureza. Não tem proselitismo ou poluição, a beberagem foi aprovada pela Vigilância Sanitária e pelo Mestre Irineu, de quem sou herdeiro espiritual, pelo menos é o que dizem os meus herdeiros - Padrinho Sebastião ao seu dispor. Você aí, que fica adorando o dinheiro e andando de um lado pro outro que nem um zumbi, você não tá servindo mais nem como extra nos filmes do George Romero, o pai do Romerito. "Mas Padrinho Sebastião, o leite com pêra também vem da natureza." Você aí, que fica disfarçando a frustração com lógica e deboche, você tem um encontro marcado com aquele livro do Fernando Sabino que tudo mundo cita e você nunca leu. "Mas Padrinho Sebastião, eu não leio mais ficções". Você aí, que se acha acima das ficções, dá um gole aqui e toma no cu tranquilo. Fluxo sob o Santo Daime 2
Alguém se surpreende que um negão desse tamanho com uma poção mágica na mão no meio do nada fosse se tornar uma divindade? É um personagem larger than life and larger than the average size. Ou isso não faz diferença? "O Yoda é pequeno e é um clássico da sabedoria." Viu como as coisas andam num ritmo alucinante? O Yoda já é um "clássico"... O que aconteceu com o estagirita, o peripatético e o olvidado da mata virgem? Deixaram o cara lá pra dar um rolé e esqueceram que ele não tinha uma bússola e nem uma bebidinha pra passar o tempo com os seres elementais. Como é que tá a temperatura aí no alto, Mestre Irineu?
Fluxo sob o Santo Daime
Qual vai ser a causa abraçada por mim hoje? A causa é uma só, o foco é que varia ou a calça é uma só, o foco é que avaria. Me perdoe porque sou fraco e não resisto. Tipo, dai-me força, dai-me luz. É isso mesmo, vou expurgar as frustrações com ayahuasca, tive que ir no google conferir como se escrevia, não teve jeito. Interrompeu um pouco o fluxo, mas tudo bem. Então um negro alto e forte chamado Raimundo Irineu travou contato com um cabloco no Acre que preparou uma bebida servida no copo de requeijão da época, a folha de mandioca. O cara vomitou pra caramba e entrou em contato com o divino da floresta, o novo Ademir da Guia dos Povos, o Lula de água doce, o boto cor de rosa da Bruna Lombardi e o Raimundo Irineu abraçou a sua causa: a árvore da floresta. É bom especificar, tem árvore no asfalto que não dá onda. Aí o Raimundo Irineu foi pintado com chocolate pelo Vik Muniz enquanto extraía borracha das seringueiras quando encontrou com um ser da mata branca chamado Sebastião. Na minha época existiam muitos Raimundos e Sebastiões, quer dizer, alguns ainda estão vivos, mas não rolam muitas crianças Raimundas, não tem nenhuma conotação sexual nisso não, Sebastião deve ter na galera Regina Casé que não perde contato com as suas raízes. Aí o Mestre Irineu morreu e aconteceu a crisma ou a cisma, nunca sei direito. O fato é que alguns comunistas (sempre eles) descobriram o barato espiritual da parada e foram em peso com as suas anistias e santa marias lá pra floresta amazônica sentir o bafo da onça. Dias emocionantes em que os desbravadores pararam de se depilar e de assistir o BBB, vou cantar os meus hinários que eu ganho mais.
Monday, March 15, 2010
Shimon Peres e o processo de paz
Assisti a um documentário sobre a vida do Shimon Peres num daqueles canais perdidos da NET que apenas expedicionários do controle remoto como eu dão o devido valor. O atual presidente de Israel era assistente de Ben Gurion na criação do estado judeu e refletia sobre todas as tentativas de se estabelecer a paz com os palestinos naquela região seca e pedregosa. Não curto religiões e esse conflito eterno que acontece justamente no berço das 3 grandes me parece reforçar o irracionalismo da crença no sobrenatural, mas - ainda assim - tenho que reconhecer que algumas religiões são ainda mais irracionais que outras. Os judeus conseguiram construir uma civilização no meio do deserto, enquanto os muçulmanos mal conseguem deixar as suas mulheres mostrarem os cabelos. A crença - também irracional - de que a riqueza de uns é causada pela pobreza de outros torna a coisa ainda mais incompreensível aos olhos brasileiros que, invariavelmente, torcem pelo lado mais fraco apenas por ser mais fraco. Não se perguntam o motivo de um lado ser mais forte do que o outro porque não percebem os valores que separam a civilização da barbárie. Torcem pelo Davi (palestinos) contra o Golias (judeus) e nem percebem a ironia da situação. Também não tenho muita esperança de que a razão compareça a uma guerra santa, mas o Shimon Peres, lá pelo final do documentário, falou uma coisa importante. Disse que achava que tinha dado muita importância aos aspectos estratégicos e diplomáticos do conflito e estava querendo se concentrar mais no aspecto econômico. Não sei exatamente o que ele quis dizer com isso, mas imagino que seja um aprofundamento do comércio entre os dois povos. Isso seria genial porque quem tem interesse em trocar não faz guerra, dá o que tem pelo que não tem. Pra que esse comércio aconteça, é importante que exista um direito à propriedade bem definido, o que me leva ao raciocínio: se o comércio é o caminho da paz, a propriedade privada é indispensável à paz porque não há comércio sem propriedade. Dêem terras aos palestinos - com seus direitos e deveres - que os ressentimentos históricos, aos poucos, vão se atenuar até chegar o dia em que a negociação não vai se dar mais entre estados e religiões, mas entre indivíduos atrás de seus próprios objetivos.
Friday, March 12, 2010
A decepção internacional com Lula

"Na realidade, o comportamento de Lula não é surpreendente. Em 1990, quando o Muro de Berlim foi derrubado, o líder do Partido dos Trabalhadores apressou-se em criar o Fórum de São Paulo com Fidel Castro para coordenar a colaboração entre as forças violentas e antidemocráticas da América Latina. Ali estavam as guerrilhas das Farc e do ELN na Colômbia, partidos comunistas de outros tantos países, a FSLN da Nicarágua e o FMLN de El Salvador. Enquanto o mundo livre celebrava o desaparecimento da União Soviética e das ditaduras comunistas no Leste Europeu, Lula e Fidel recolhiam os escombros do marxismo violento para tratar de manter vigente o discurso político que conduziu a esse pesadelo, e estabeleciam uma cooperação internacional que substituísse a desvanecida liderança soviética na região. No Brasil, sujeito a uma realidade política que não pôde modificar, Lula comporta-se como um democrata moderno e não se afastou substancialmente das diretrizes econômicas traçadas por Fernando Henrique Cardoso, mas no terreno internacional, onde afloram suas verdadeiras inclinações, sua conduta é a de um revolucionário terceiro-mundista dos anos 60. De onde vem essa militância radical? A hipótese de um presidente latino-americano que o conhece bem, também decepcionado, aponta para sua ignorância: 'Esse homem é de uma penosa fragilidade intelectual. Continua sendo um sindicalista preso à superstição da luta de classes. Não entende nenhum assunto complexo, carece de capacidade de fixar a atenção, tem lacunas culturais terríveis e por isso aceita a análise dos marxistas radicais que lhe explicaram a realidade como um combate entre bons e maus.' Sua frase final, dita com tristeza, foi lapidar: 'Parecia que Lula, com sua simpatia e pelo bom momento que seu país atravessa, converteria o Brasil na grande potência latino-americana. Falso. Ele destruiu essa possibilidade ao se alinhar com os Castro, Chávez e Ahmadinejad. Nenhum país sério confia mais no Brasil'. Muito lamentável". Carlos Alberto Montaner (http://arquivoetc.blogspot.com/2010/03/carlos-alberto-montaner-decepcao.html).
As idéias têm consequências
Leio o jornal todas as manhãs e ele sempre me dá assunto. Na capa do Segundo Caderno está o Arnaldo Bloch entrevistando o Sílvio Tendler. Falam de utopias, um eufemismo pro comunismo que Tendler defendeu a vida toda. Não mencionam o nome porque hoje em dia pega meio mal, mas também não há nenhuma autocrítica do tipo "a gente acreditava, mas a idéia se mostrou uma merda". Quer dizer, o Tendler diz que "nos anos 60 se comemorava a revolta cultural chinesa até se descobrir nos 80 que foi um massacre federal". A revolta cultural foi um movimento de cima pra baixo imposto pelo Partido Comunista chinês que deixou sei lá quantos milhões de mortos em nome da construção de um "novo homem". O comunismo matou mais do que o nazismo e continua sendo considerado um humanismo, é ou não é revoltante? Reparem que são poucos os esquerdistas de hoje que ainda falam em "comunismo", mas todo aquele aparato teórico marxista continua passeando incólume por aí como se nada tivesse acontecido e ainda fosse uma filosofia respeitável. Não é, o socialismo não foi uma tragédia por causa de um desvio dos homens no poder, foi uma tragédia porque subordinava o indivíduo ao coletivo e isso nunca vai funcionar porque o homem não é um cupim ou uma massa moldável de acordo com os interesses do partido. Disso não falam, cercam o lourenço com nostalgia e passam pro próximo assunto. No caso, uma adaptação pro cinema de um livro de um rabino que explora uma outra maluquice: a separação entre corpo e alma. Depois de tecer loas aos cultuadores da força (os comunistas), é a vez dos cultuadores do sobrenatural (os religiosos).
Thursday, March 11, 2010
O mito do assistencialismo escandinavo reexaminado
"Embora os países escandinavos apresentem uma quantidade extremamente alta daquilo que Rothbard classificou como intervenção binária - isto é, tributação -, seu ponto forte é sua quantidade relativamente mais baixa de intervenção triangular - isto é, regulamentação. Isso coloca os países escandinavos no mesmo nível de competitividade de outros países desenvolvidos, e ajuda a explicar por que eles são capazes de apresentar um padrão de vida equivalente ou até mesmo maior. O juízo falso de que os outros países ocidentais são muito mais voltados para o livre mercado do que a Escandinávia é algo desastroso, pois alimenta a ideia de que uma maior expansão governamental nesses países traria felicidade e euforia para todos, quando na realidade isso só pioraria as coisas. Entretanto, a principal conclusão de tudo isso é que, no mundo todo, a liberdade está tão ausente, que mesmo os enormes estados assistencialistas da Escandinávia podem ser considerados como estando entre os países "mais livres" do mundo. Ao passo que as coisas têm geralmente se encaminhado para a direção correta na Escandinávia em termos de maior liberdade econômica, o exato oposto parece estar ocorrendo em vários outros países, especialmente nos EUA. Considerando que este já caiu para o mesmo nível da Dinamarca em termos de liberdade econômica, é de se imaginar quanto tempo levará para que encoste na Finlândia, na Noruega e na Suécia." Markus Bergstrom (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=632).
Wednesday, March 10, 2010
Política: a arte do almoço grátis impossível
A política funciona assim: uma galera se reúne pra reivindicar os seus direitos. Quais? Sei lá, o direito de estacionar no shopping de graça. Então o político X na câmara de vereadores Y pensa: "Vou criar uma lei obrigando os shoppings a fornecerem vagas sem cobrar por elas. É genial, porque vou poder dizer que garanti esse 'direito' e ficar bem na fita com esses eleitores." Só que essa vaga não caiu do céu, há um custo por aquele espaço e a sua manutenção que, pro político, não faz a menor diferença porque não é ele quem vai pagar. Ele faz a sua demagogia com o dinheiro alheio e isso é, em essência, o que fazem os políticos e as suas leis maravilhosas: tiram de uns pra dar pra outros, cobrando uma generosa comissão no meio do caminho. Como os recursos são escassos, o que acontece nesse intervencionismo é uma guerra de todos contra todos pelo almoço grátis que não é grátis porque tem sempre alguém bancando a refeição. No caso dos shoppings, esse custo vai ser repassado pras lojas, que - por sua vez - vão repassar pro preço dos seus produtos. Ou seja, a sensação de almoço grátis que o motorista teve ao estacionar ali é anulada pelo aumento de preço dos produtos que ele vai comprar dentro do shopping. A lógica econômica é uma coisa maravilhosa que te liberta de um monte de incompreensões. Recomendo. (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=535)
Por que toda discussão política termina em Cuba?
Porque Cuba é o horizonte utópico da turma no poder, a ditadura de estimação de todos os esquerdistas latino-americanos. Eles tentam disfarçar, mas os fatos falam por si só. Fidel e Che são os modelos, os profetas, os santos do outro mundo possível. Então se o camarada mete o pau em Cuba, logo aparece alguém pra relativizar a ditadura louvando a sua educação e a sua saúde. Yeah, right, que bela educação essa em que só são permitidos os livros escolhidos pelo ditador e que bela saúde essa em que o ditador vai se tratar com médicos de outros países. Cuba é emblemática porque ali está revelada toda a verdade da alternativa à economia de mercado e aos direitos individuais. Não há liberdade de imprensa, não há liberdade de ir e vir e não há liberdade de iniciativa. Ou seja, as pessoas devem seguir as ordens do ditador se não quiserem ir pra cadeia. Tal arranjo é indefensável, mas no Brasil tem muita gente que considera aquilo bacana, inclusive o seu presidente e o seu partido que dominam amplamente a máquina estatal - além dos departamentos de ciências humanas das universidades que formam a, digamos, elite intelectual do país. Isso é ou não é preocupante e digno de discussão?
Tuesday, March 09, 2010
A guerra contra o ego
Se as pessoas estão mais interessadas em parecer muito humanas que falar das coisas como elas são, paciência, isso só reforça em mim a recusa em dourar a pílula em troca de popularidade. Até porque o que se considera como humanismo por aí é, pra mim, anti-humano. Pode reparar que quando Sicrano é classificado como um humanista é porque tem uma folha de serviços prestados ao socialismo e à sua manifestação prática, o estatismo. E esse anti-individualismo - ao invés de elevar o homem - o diminui, desqualificando as suas aspirações como manifestações de um terrível egoísmo. Quem se levanta contra o ego está se levantando justamente contra o que o indivíduo tem de mais particular e único. "O Ego representa um conjunto de idéias, vontades e pensamentos que movem a pessoa e desenvolvem a sua perspectiva diante da sua própria vida. É a experiência que o indivíduo possui de si mesmo." Sem um ego saudável, não se tem auto-estima e sem auto-estima a pessoa vira um alvo fácil pra demagogia dos representantes do governo, de Deus ou do diabo que o carregue. Sem ego e auto-estima, o homem deixa de ser um animal racional com seus próprios objetivos e se transforma num meio sacrificável aos objetivos dos outros, os tais humanistas.
Monday, March 08, 2010
Evolução e "darwinismo social"
Estava eu discutindo, na boa, com um amigo marxista quando lá pelas tantas ele soltou um "você não acha que estejamos vivendo uma evolução eterna, ou acha?". Retruquei que a evolução não entrou em modo de espera por causa da luta de classes e fiquei matutando sobre aquilo. Não é porque o homem foi capaz de formular e compreender a teoria da evolução que os seus efeitos foram suspensos, a vida é dinâmica e continuará a ser dinâmica enquanto houver vida. Então o amigo marxista falou do "darwinismo social" e me lembrei que a simples menção desse termo, em certos círculos, já é o suficiente pra desqualificar o outro como alguém sem nenhum sentimento ou empatia. A idéia que se faz do "darwinismo social" é a de que "o homem é o lobo do homem" e que essa competição selvagem é plenamente justificável. Claro, isso é apenas uma caricatura usada pra justificar um controle central cujos membros, aparentemente, não sofreriam desse mal intrínseco ao resto da humanidade. Será que o "darwinismo social" não passa, na realidade, de um outro nome pro "capitalismo"? Será que quem denuncia com tanta indignação moral o "darwinismo social" está livre dele? Vou tentar aprofundar o assunto durante a semana.
Friday, March 05, 2010
Boom and Bust
Como disse na semana passada o economista José Roberto Mendonça de Barros: "aqui todos começaram keynesianistas e terminaram gastadores". Coluna da Miriam Leitão no O Globo de hoje. Tentativa braba de livrar a cara do amado keynesianismo, porque a receita de Keynes pra enfrentar a recessão é justamente essa, gastança governamental. Ou não é? Então a coisa vira apenas um questão de gradação, tipo, quanta gastança é necessária pra estimular a demanda agregada sem que se aumente a dívida pública a níveis insustentáveis? O keynesianismo - ou a interpretação que os governos convenientemente dão e ele - se encaixou como uma luva ao credo estatista porque dá margem a todo tipo de intervenção causada pelas chamadas falhas do mercado. Só que o foco não deve estar nas falhas do mercado, deve se concentrar antes nas falhas do governo que causaram as falhas do mercado. O mercado não age, ele é meramente um processo, quem age e causa desequilíbrios nesse processo são os governos. Sobre o assunto, um vídeo divertido e esclarecedor que trata das diferenças de abordagem entre Keynes e Hayek (http://www.youtube.com/watch?v=d0nERTFo-Sk).
Thursday, March 04, 2010
Sobre o Banco do Brasil
Wednesday, March 03, 2010
A questão do Irã
Tento compartilhar do princípio da não-agressão, que afirma que a força só deve ser usada como reação a uma agressão prévia, mas alguns eventos me fazem relativizar esse princípio. Por exemplo, quando o presidente da teocracia iraniana diz que pretende "varrer Israel do mapa" e inicia o enriquecimento de urânio, fico com uma pulga atrás da orelha. Será que Israel e os EUA devem esperar o Irã construir e usar a bomba pra - aí sim - tomarem uma providência? Será que a ameaça em si já não configura uma agressão? Claro que a partir do momento que o Ahmadinejad cumprir o prometido e realmente "varrer Israel no mapa", a reação de países com um potencial nuclear muito superior poderia também "varrer o Irã do mapa", mas aí milhões de pessoas já teriam morrido em Israel e outras tantas morreriam no Irã. Resta torcer, por enquanto, por uma saída diplomática, mas como confiar numa saída diplomática envolvendo uma teocracia islâmica que patrocina o terrorismo?
Keynesianismo segue destroçando o Reino Unido
"O que o Reino Unido necessita é de uma total mudança de direção. Controlar o déficit. Elevar as taxas de juros para que se possa restaurar a confiança na libra e remunerar a poupança. Cortar impostos para estimular o empreendimento e o investimento. Ainda assim, a verdadeira lição do Reino Unido para 2010 é muito mais ampla. Um país não pode sair de uma recessão por meio da gastança. E o governo não pode corrigir um problema simplesmente fazendo mais daquilo que gerou esse problema. Ele não pode aumentar o endividamento e facilitar o crédito para resolver um problema que foi causado justamente por endividamento excessivo e juros baixos. No país onde nasceu, a economia keynesiana está sendo testada. Se a economia britânica não estiver crescendo em ritmo saudável ao final de 2010, o fracasso da teoria será óbvia para todo mundo." Matthew Lynn (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=622).
Tuesday, March 02, 2010
O hospício tributário brasileiro
Um dos segredos do estado pra manter o cabresto bem apertado sobre os contribuintes é complicar ao máximo as normas tributárias, fazendo com que seja praticamente impossível (ou inviável) estar em dia com todas as obrigações com o Leão (sacanagem com um animal tão nobre e majestoso). Isso faz parte do chamado custo Brasil, tanto é que as empresas normalmente mantêm um departamento apenas pra lidar com todas as minúcias do hospício tributário brasileiro, seja pra ficar em dia ou pra usar de manobras fiscais pra pagar menos. De qualquer maneira, se a Receita Federal encasquetar com uma determinada empresa e quiser enquadrá-la, dificilmente ela escapará do escrutínio dos fiscais, porque as regras não foram feitas pra facilitar, foram feitas pra complicar. Então volta e meia você vê nos jornais operações espalhafatosas dos fiscais da Receita Federal mandando a seguinte mensagem: Your ass is mine, motherfucker. If you don't pay all the money to us, you are going to jail. Claro que os mais ricos dificilmente vão pra cadeia - o sistema não foi feito pra isso - mas a mensagem de que o seu negócio é uma concessão estatal que pode ser cassada a qualquer momento fica bastante clara.
"Receita Federal aperta cerco a grandes empresas"
Quando eu era criança pequena lá em Barbacena, eu vibraria com uma notícia dessas. Claro, eu ainda votava no PT e achava que bastava tirar dos ricos pra dar pros pobres pra justiça social ser instalada no reino de terra. Não era bem inveja, era uma incompreensão do processo econômico aliada a um autoritarismo que eu não reconhecia como tal, no melhor estilo déspota esclarecido: "Se o governo fizer o que eu acho correto, as coisas vão melhorar." Só que o que eu achava correto não era correto nem no plano moral e nem no plano, digamos, pragmático. Não é moral porque se a riqueza foi conquistada pelo esforço através de trocas voluntárias, ela é o resultado material de uma virtude e, por isso mesmo, não deve ser punida, ao contrário, deve ser estimulada. Se a riqueza foi conquistada através da corrupção e do roubo, o caso é de polícia e não da Receita Federal. Essa punição aos ricos também não funciona no plano pragmático, porque se um lugar pune a acumulação do capital, os donos dessa poupança vão pra outros lugares mais amigáveis: paraísos fiscais, por exemplo. Então o governo sedento de recursos pra fazer a sua demagogia e pagar os seus agentes vai ficar sem ter a quem taxar e a quem usar como bode expiatório pra justificar a pobreza alheia.
Monday, March 01, 2010
Zuenir e Niemeyer
Ser contemporâneo desse gênio é um alento. Se as coisas não vão bem, há sempre o consolo de poder dizer: mas nós temos Niemeyer. Zuenir Ventura sobre Oscar Niemeyer no O Globo. Qual é o grande mérito desse "gênio"? Fazer construções de concreto armado pros governos ou ser o stalinista mais antigo do Brasil? Desconfio que o Niemeyer não foi eleito o "brasileiro do século" por causa da sua arquitetura, mas por constituir o norte ético de jornalistas como o Zuenir Ventura. Nunca vi babação de ovo tão abjeta, esses caras já souberam disfarçar melhor.
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